conversas

Essa mensagem não é um adeus

Desde 2009 escrevo o Maionese. Um blog que no começo era bem pessoal, continuação de um antigo blog. Naquela época já começavam a surgir os blogs com uma pegada mais pro, eu mesma escrevia pro falecido Mão Feita e pouco tempo depois inaugurava o Gordelícias. De lá pra cá as coisas mudaram bastante, inclusive na forma de consumir conteúdo. A gente foi deixando os blogs pessoais cada vez mais de lado. Como ter tempo pra ler tantos blogs? O Google Reader ajudava, receber posts por email… Mas nesse meio tempo a gente passou a usar mais Twitter, Orkut, Facebook… O textão apenas migrou de espaço.

Vi muitos amigos nessa caminhada abandonarem seus blogs pessoais por receio de expor tudo que pensavam na internet, ao alcance de qualquer pessoa. E eu me incluo nesse bolo. Nesse mundo onde tudo é tão compartilhável, a gente fica com cagaço de falar demais. E faz sentido.

Andei com muita preguiça de postar por aqui. Isso porque toco outros dois projetos que me consomem muito tempo, como o Gordelícias e, agora, o Coração Nos Pés. Seria mais fácil ter um único blog pra falar de tudo, não é mesmo? Mas as coisas foram acontecendo e vou te dizer que gosto de separar tudo nos seus devidos lugares. Mas sabe o que me incomodava mesmo aqui? Esse formato, esse nome, no fundo o problema era me sentir pouco acolhida para escrever sobre qualquer coisa. NO MEU PRÓPRIO BLOG!

Poderia simplesmente parar, fazer outra coisa da vida. Mas eu gosto tanto de estar aqui, compartilhando coisas, ideias, pequenas alegrias, bonitezas. Não tem jeito, vou ficar velha e continuarei aqui, escrevendo pra meia dúzia que ainda me lê.

Depois do tsunami que passou por aqui, dei uma geral nas caixinhas da vida. Organizei todos os meus domains, projetos, e vos convido para meu novo cantinho: um blog random. Ainda tem uns tapumes aqui, ali, aos poucos tudo vai se encaixando. Espero que vocês curtam tudo! <3

Vai ter textão. Vai ter textinho. Vai ter umas fotos bonitas. Umas músicas. Umas coisas meio nada a ver. Mas continuará sendo feito com carinho. E vamos combinar que não havia nome melhor pra esse blog, vindo de uma pessoa tão aleatória como eu.

(esse espaço vai se desintegrar em alguns dias… obrigada a todos que fizeram parte do Maionese de alguma forma)

run forrest run

O novo filhote: Coração nos Pés

Achei que daria conta de falar de corrida eventualmente aqui no blog ou então fazendo alguns registros no Instagram. A verdade é que com a intensidade de treinos por conta da Meia do Rio em maio, o assunto se tornou recorrente. Minha rotina é pensada na alimentação, nos exercícios, nas corridinhas durante a semana e também nos fins de semana. Isso não quer dizer que estou APENAS correndo e deixando todo o resto de lado. A verdade é que estou apaixonada. E quando a gente fica apaixonado por algo, fica monotemático.

É claro que nem todo mundo entende pois não está na mesma vibe. E nem tem que estar. É algo que pra uns acontece, pra outros não. Normal, como tudo na vida. Até pra quem entende tem o momento do “bode”, como eu tive no finalzinho do ano passado. Mas as coisas voltaram a fluir. A empolgação e vontade estão por aqui. E foi por causa disso que criei um novo espaço, pra eventualmente compartilhar esse momento atual. Eu vos apresento o projeto Coração nos Pés.

Coração nos Pés.

Ele não é feito só por mim. Tem papai e irmão também. Cada um com seu ritmo, mostrando um pouco da relação com a corrida de rua. Dizem por aí que esporte mais democrático não há e aos poucos vou tendo a certeza de que é isso mesmo. Cada um com o seu tempo, com seu ritmo, com sua história. É tão bonito quando a gente conversa com alguém que corre sobre as razões que o levaram a colocar o corpo em movimento. Pelo menos euzinha fico toda emocionada.

Espero do fundo do coração que vocês gostem e que se aventurem também.

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leituras

Lançamentos de janeiro/16 – Editora Rocco

O ano começou cheio de resoluções, certo? Por aqui, reafirmo meu compromisso em ler mais. E quando digo “mais”, falo não só de quantidade mas de variedade. Há alguns meses venho me permitindo passear por gêneros que não amo tanto justamente pra quebrar paradigmas e certezas. Tem sido legal praticar esse exercício.

▲ Lá no Goodreads abri um desafio de leitura, vamos ver se chego no final de 2016 com a lista em dia.

Essa é uma época de poucos lançamentos no mercado editorial porém tenho visto títulos interessantes saindo. Na lista da Rocco, um em especial me chamou atenção: A Garota Dinamarquesa. O livro inspirou o filme de mesmo nome, que eu tô doida pra assistir. Será que esse é aquele típico caso onde livro >>> filme? Estou curiosa.

Lançamentos de janeiro 2016 - Editora Rocco

:: Lançamentos Rocco ::

✏ Cidade dos últimos dias – O último policialde Ben H. Winters

Sinopse: A pouco mais de dois meses para o asteroide Maya atingir a Terra, investigar crimes não é mais uma prioridade para a força policial de Concord. Mas Hank Palace não pensa assim. Cidade dos últimos dias é o novo livro de Ben H. Winters, e segunda parte da trilogia O último policial. A obra acompanha o ex-detetive na investigação do misterioso desaparecimento de Brett Cavatone, o marido da sua antiga babá. Com a sociedade se desmantelando a sua volta, Hank tenta a todo custo juntar as poucas pistas que tem, até descobrir o paradeiro de Brett aparenta ser somente uma questão de tempo. Mas será que Maya dará este tempo a Hank? A elogiada trilogia de Bem H. Winters traz novas indagações sobre o que os homens devem uns aos outros quando o fim está próximo.

✏ Hotelles – Quarto 2, de Emma Mars

Sinopse: O jogo de sedução envolvendo a jovem Annabelle Lorand, conhecida como Elle, está de volta. Hotelles – Quarto 2 mostra o que aconteceu com a protagonista da trilogia erótica da francesa Emma Mars depois de trocar o noivo, o magnata da comunicação David Barlet, por Louis, irmão mais velho dele. Ambientada em Paris, a trama conserva a mistura de romance, mistério e intrigas, bem como as cenas quentes que marcaram o primeiro livro, ao acompanhar a educação sexual de Elle, jovem jornalista que resolve trabalhar como acompanhante de luxo para pagar o pagamento de saúde da mãe, e acaba se enredando num jogo sedutor e perigoso que envolve os dois irmãos, os famosos quartos do Hôtel des Charnes, cada um dedicado a uma famosa cortesã do passado, sua melhor amiga, Sophia, e a agência Belas da Noite.

:: Lançamentos Fábrica231 ::

✏ Sob a luz dos seus olhos, de Chris Melo

Sinopse: Considerada a “Nicholas Sparks de saia” pelos fãs, por suas histórias românticas voltadas especialmente para o público jovem adulto, a paulista Chris Melo estreia na Rocco, pelo selo Fábrica231, com Sob a luz dos seus olhos. A trama conta a história de Elisa, que embarca para a Inglaterra decidida a começar sua vida adulta, levando na bagagem seus planos e sonhos para o futuro; e Paul, um artista tentando se encontrar e que vive intensamente cada momento. O que poderia ser apenas um encontro casual entre dois jovens tentando achar o seu lugar no mundo se transforma, pelas mãos de Chris Melo, numa profunda jornada de autoconhecimento, superação, perdão e recomeços protagonizada por duas pessoas comuns que experimentam o poder extraordinário do amor. Um presente para quem já é e para quem vai se tornar fã de Chris Melo.

✏ A garota dinamarquesa, de David Ebershoff

Sinopse: Com estreia nos cinemas em fevereiro, já acenando com um possível novo Oscar para Eddie Redmayne, ganhador da estatueta de melhor ator por A teoria de tudo, A garota dinamarquesa reconstrói a história de Lily Elbe, talvez a primeira transexual da história a fazer a cirurgia de redesignação sexual (ou “mudança de sexo”). Vivendo até a meia-idade como Einar, um pintor dinamarquês na Europa dos anos 1920 e 1930, ela teve a sorte de contar não apenas com um médico pioneiro, mas com uma mulher brilhante, generosa e apaixonada, sua própria esposa, Greta, para encontrar sua verdadeira identidade. Num momento em que as questões de gênero estão cada vez mais em voga, o aclamado romance de David Ebershoff, que volta às prateleiras com novo projeto gráfico, capa com o pôster do filme e posfácio assinado pelo autor, é um livro delicado e envolvente e uma leitura necessária nos dias atuais.

:: Lançamento Bicicleta Amarela :: 

✏ Nutrição descomplicada, boa forma facilitada, de Rodrigo Paiva

Sinopse: Por que emagrecer? Somente para ficar em forma ou para diminuir taxas como glicose ou colesterol que estão ameaçando a saúde? Quem sabe para dar uma guinada na autoestima? O motivo não importa. Nutricionista e preparador físico com pós-graduação em fisiologia, Rodrigo Paiva afirma que a chave para alcançar qualquer objetivo em relação ao próprio corpo está na força de vontade. E também em compreender o “pensamento” do corpo. Em Nutrição descomplicada, boa forma facilitada, seu livro de estreia pelo selo de bem-estar Bicicleta Amarela, o autor esmiúça temas variados como vitaminas, metabolismo, a diferença entre emagrecer e perder peso, exercício e queima de energia, os mitos e verdades da alimentação, entre outros assuntos. E mostra que sempre é tempo de se imaginar em melhor forma e mais saudável e traçar metas para conquistar esse objetivo.

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Do que eu falo quando falo de corrida
leituras, run forrest run

Resenha: Do que eu falo quando falo de corrida, Haruki Murakami

Não sei se vocês também são desse jeito mas por aqui acabo selecionando as leituras dependendo do ~mood. Explico: aleatoriamente, pego um livro pra ler. Alguns já queria ler, outros escolho ao acaso, meio que já sabendo do que se trata, com o intuito de me entregar ao novo. Geralmente faço isso com filmes também. Dou “play” em coisas que não costumo assistir e deixo rolar (já aconteceu de ser meio que uma tortura chegar ao fim porém fui surpreendida positivamente tantas vezes ao praticar esse exercício).

Com “Do que eu falo quando falo de corrida” não foi assim tão randômico, eu queria ler esse livro desde o começo do ano. Comecei a ler meio que na mesma época em que entrei pra minha primeira assessoria esportiva. Mas, por algum motivo que hoje faz todo sentido, deixei pra lá. Peguei outras leituras, outras séries, e Murakami ficou pra trás. Mas foi durante a recente viagem pra NY, uma viagem que vou contar aqui nos mínimos detalhes, que essa leitura chegou ao fim. E não poderia ter acontecido em melhor momento.

Já falei um pouco sobre o Haruki Murakami nesse post aqui. Ele começou a escrever seus romances já quase na casa dos trinta. E foi nessa época também que começou a correr. Depois que terminei a leitura de seu livro sobre corrida, tive a certeza de que não se tratava apenas sobre um livro contando aventuras em maratonas ou treinos, lesões. É um livro sobre a eterna busca pelo que somos e pelo que nos faz feliz.

Em 1982, Haruki Murakami decidiu vender seu bar de jazz em Tóquio para se dedicar à escrita. Nesse mesmo período, começou a correr para se manter em forma. Um ano mais tarde, ele completou, sozinho, o trajeto entre Atenas e a cidade de Maratona, na Grécia, e viu que estava no caminho certo para se tornar um corredor de longas distâncias.

O autor traça diversos paralelos entre os treinos e provas de corrida de rua com seu trabalho como escritor, tradutor e palestrante. A eterna busca por inspiração que os criativos vivem diariamente, aquele vazio quando a “fonte seca”, a angústia que praticamente todo indivíduo sente em relação ao envelhecer (e todos os assuntos relacionados ao passar dos anos: sucesso/fracasso, bad pelo fim da vida…). Quem tem o hábito da corrida sabe que esse não é apenas um esporte onde você calça um tênis e sai por aí feito doido varrido. É um esporte de progressão, de condicionamento, que exige que o praticante se mantenha ativo com frequência e que muitas vezes vença a preguiça, a inércia do corpo para se movimentar, suar, em alguns casos sentir dor.

Mas não acredito que seja apenas força de vontade que capacite a pessoa a fazer alguma coisa. O mundo não é assim tão simples. Para dizer a verdade, eu nem acho que exista grande correlação entre o hábito de correr todo dia e essa coisa de ter ou não força de vontade. Creio que fui capaz de correr durante mais de vinte anos por um motivo simples: isso me cai bem. Ou pelo menos porque não acho assim tão doloroso.

BINGO! Quantas coisas na vida a gente carrega como se fosse um fardo? Uma profissão. Um relacionamento amoroso. Uma amizade. Em que momento a gente elimina o que nos faz mal? Por que é tão difícil renunciar ao que nos maltrata?

Ao falar sobre sua experiência em meias, maratonas, ultras e triatlo, Murakami revela ao leitor alguns aspectos interessantes que poderiam se encaixar no que conhecemos como psicologia do esporte. Seus depoimentos de pré-prova, dos treinos, da relação com outros atletas. Mesmo que você não corra ou nunca tenha participado de uma prova, vai visualizar direitinho, por meio da narrativa, os impactos da atividade física sobre o indivíduo.

À medida que se tornava um hábito natural, fui me sentindo cada vez menos constrangido a respeito. Entrei em uma loja de esportes e comprei material de corrida, além de tênis decentes que se prestassem adequadamente ao meu propósito. Comprei um relógio com cronômetro, também, e li um livro de corridas para iniciantes. É assim que você se torna um corredor.

Ao terminar a leitura, tive vontade de dar um abraço no Murakami. Um misto de agradecimento e vontade de parabenizá-lo por conseguir se enxergar de um jeito tão maravilhoso.

Em todo caso, foi assim que comecei a correr. Trinta e três anos – essa era a minha idade na época. Ainda jovem o bastante, embora não mais um homem jovem. A idade com que Jesus Cristo morreu. A idade com que Scott Fitzgerald começou a decair. Essa idade talvez seja um tipo de encruzilhada na vida.

E eu não poderia concordar menos. Foi com 33 anos que abracei a corrida de rua e nunca mais fui a mesma pessoa…

Ficha Técnica

Título: Do que eu falo quando falo de corrida
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
152 páginas
Skoob

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coisas que amei, conversas

Coisas que amei: reflexões sobre as redes sociais

imagem do topo: Rresende via Compfight cc

Desde segunda-feira, não param de circular textos e matérias sobre a decisão de uma blogueira/youtuber australiana que decidiu abandonar um lifestyle tão desejado por gente no mundo todo, em prol de uma vida mais real e livre. Esse é um debate antigo, principalmente pra quem vive do Marketing Digital, ou quem acompanha debates e estudos antropológicos. Mas é aquela, basta uma fagulha pra reacender todo o incêndio e cá estamos em meio a tantos textos e análises.

Visto que li tanta coisa interessante nas últimas 48h, vou abrir mão de escrever mais um ~textão~ pra compartilhar alguns desses links, que sugerem ótimos debates em torno do assunto. Só clicar aí embaixo!

◣ Por que você se deixou enganar pelo Instagram, por Fernanda Pineda

◣ Sobre redes sociais, vida real e felicidade, por Fe Neute

◣ Por que está todo mundo fugindo das redes sociais e do mundo online, por Marina Espíndola

◣ Estamos prestes a mudar a nossa relação com a internet e com as redes sociais, por Nuta Vasconcellos

◣ A não farsa das redes sociais, por Lu Ferreira

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conversas

Sobre amizade + resultado de sorteio

(imagem do topo daqui)

Demorei um pouco pra divulgar o resultado do sorteio desse livro aqui mas foi por uma boa causa. Li cada resposta e acabei rascunhando um post que queria fazer há algum tempo: um post sobre amizades.

Não importa a ~fase da vida~, a gente tá sempre (re) avaliando as amizades que temos. Algumas nos acompanham durante anos, outras surgem de repente e se tornam tão especiais. E tem aquelas que são abaladas por algum desentendimento mas um belo dia tudo “sara” e a vida segue. Assim como em relacionamentos amorosos, acredito que pra amizade não haja regra, não haja uma explicação, um tutorial. Cada um tem a sua visão do que é ser amigo, do que é uma demonstração plena de amizade a alguém.

Fiz um sorteio pra presentear um leitor do blog com um livro sobre amizade. Pedi aos participantes que falassem sobre alguma situação louca que fizeram por um amigo e foi tão difícil escolher apenas uma resposta. Sem clichê, gente. Foi difícil mesmo. Acabei escolhendo duas respostas e vou enviar o meu exemplar pra esse segundo ganhador. As respostas tinham algo em comum, algo que inclusive eu acredito ser essencial na hora de pensarmos “esse cara é realmente meu amigo”, que é o seguinte: se um amigo estiver realmente precisando de uma mãozinha, um help, faria qualquer coisa pra estar ao lado dele? Se a resposta é “sim”, you got a friend.

Pode ser que vocês nem sejam mais tão íntimos. Que não se vejam há um século. Que já não saibas por onde o cara anda, o que ele pensa, o que ele quer da vida. Se ele precisar, seja pelo motivo que for, você vai estar lá. É tipo aquela música:

If you need me, call me
No matter where you are, no matter how far,
Dont worry baby
Just call my name
I’ll be there in a hurry
You don’t have to worry

Queridos Leandro Faria e Alice Barros, escolhi vocês como ganhadores do sorteio. Em breve, tem livro na caixa de correio também. Obrigada a todos os amados que participaram, vocês são fofos demais!

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