Quase sete da manhã. O fluxo é intenso, buzinas, fumaça saindo pelos canos de descarga – quanto de gases poluentes são lançados no ar diariamente? Ao redor tudo é meio cinza e, à primeira vista, feio. Com o tempo, você se acostuma com aquela paisagem industrial, oficinas e algumas fábricas, uma ou outra abandonada (a de frente pro viaduto da Ilha até moradias irregulares tem).

Com cinco minutos de viagem, o ônibus engarrafa e é possível notar cada detalhe daquilo que me conecta ao “mundo real”. Seja o asfalto que, em close, é tão cheio de pequenos buraquinhos, uns nem tão pequenos, ao lixo que se acumula junto aos boeiros e que, a cada tempestade, provoca as inundações das pistas, pronto, está montado o caos urbano em dias de chuva.

A velocidade não passa dos 40 km/h mas é devagar que se vai longe e demorando um pouco mais do que o normal, chego ao fim do meu trajeto, diário, pela Avenida Brasil. Passo pelo castelinho da Fiocruz, onde eu achei que meu pai trabalhava por muitos anos. Onde achei que havia um rei ou um príncipe. Onde está presente a fábrica portuguesa, que traz em sua fachada uma cruz de malta, como a do time do meu coração; que exala cheiro de produto químico, para o fabrico do sabão.

Avenida Brasil, com direito à Habib’s, sacolão, açaí de todos os tipos. Música e espetinho de frango em Manguinhos. Inscrições e desenhos nas paredes, algumas que já duram anos. “Pixar é crime, corrupção é arte.” São 58 km de pista que unem o norte ao sul, o Rio de verdade ao cartão postal.