michael_jackson

Mas é óbvio que eu ia escrever sobre ele.

Sem entrar no mérito do quão fantástico ele foi, enquanto artista. Porque ele foi o melhor em tantos quesitos: vestuário, clipes, coreografias, shows, hits. O melhor, simplesmente.

Mas por que isso não fez do  Michael Jackson, pessoa, feliz? Bem, vamos lá.

Ler esse texto da Lisa Marie Presley me deu toda a certeza de que MJ era uma pessoa extremamente infeliz. A história dele todo mundo sabe: o garotinho prodígio que, junto com os irmãos, transformou a música nos anos 70 fazendo dancinhas e cantando musiquinhas alegres e bonitas. Por trás disso tudo, um pai filho da puta sugando todo o talento dos filhotes. Como a gente tanto vê por aí. Pois bem, a criança cresce e se torna uma pessoa saudável, curtindo a idade e a (pouca) responsabilidade que lhe cabe, né? Não.

Eu tento imaginar a cabeça de um ser humano que passa por esse tipo de transformação tão radical. Quanta gente não quer ser famosa, não é? Big Brother tá aí pra comprovar o fato. Mas e quando a fama consome a pessoa, a natureza do indivíduo? E quando você deixa de ser você pra ser um fantasma, que circula nos melhores lugares, leva ao delírio milhões de pessoas?

mj_kid

Chegar em casa do trabalho e acompanhar toda a especulação se Michael Jackson tinha morrido. A primeira “grande morte” que o mundo acompanhou pelo Twitter. Uma morte que não mudou nada nas nossas vidas. Meu emprego continua o mesmo, minha casa também. Mas é um sentimento estranho saber que ele morreu. Talvez pelo que significou para a música de um modo geral. Ou por sabermos que nunca teremos a oportunidade de ir a um show seu. Quem foi, foi, quem não foi, perdeu (é algo que sinto em relação aos Mamonas Assassinas também, enfim). Mas uma coisa mexeu comigo, que é olhar pras fotos desse homem e ver que Michael já não existia naquele corpo há muito tempo. Não somente pelas inúmeras intervenções cirúrgicas e pela bizarra mudança de cor de pele mas pela perda do brilho no olhar, na felicidade ao cantar, ao subir no palco e fazer o nosso queixo cair com os movimentos incríveis de um corpo magro, esguio, sapatos que deslizavam no palco com uma facilidade que ninguém vai conseguir substituir. Ninguém.

Ah, outra coisa: quando eu penso em Michael Jackson, sempre lembro disso aqui:

Quem mais no mundo poderia ter um jogo de videogame onde, pra matar os inimigos, ele os convidava pra dançar? Nem o Mickey…