24 Jun 2009

olhando para dentro

Post por Raquel às 01:18 em conversas, cotidiano

Uma da manhã. Devia estar no décimo terceiro sono, prometo todos os dias ir pra cama mais cedo, promessa que nunca cumpro. Dessa vez, tarefas agendadas que foram esquecidas no bloco de papel com capa dourada, aquele mesmo que ganhei de lembrancinha no último Natal.

Que gostoso é riscar algo da lista de afazeres! Sensação de ir pra cama com menos uma preocupação, por mais que outras dez assumam o lugar do risco na folha com pelo menos dez tópicos, todos pra ontem.

O braço fraqueja, a vista arde, definitivamente o dia devia ter umas horas a mais, pra dar conta de tanta vida! A mesa, que um dia era vazia e tinha um arranjo de flores no centro (desses que toda mãe tem), hoje abriga um fichário cor de rosa e muitos cadernos, provas, revistas e uma calculadora baratinha, coisa de quem saiu da semana de provas e ainda não “teve tempo” pra organizar pendências.

E nessa correria toda, será que dá tempo de respirar? De olhar ao redor? Outro dia, ao voltar pra casa, caminhando a passos apressados, acompanhei um senhor e seu cachorro, que se dirigiam para debaixo de uma marquise. Aquele senhor dorme ali todos os dias. Sabe Deus onde passa os dias, onde toma banho, se come, se tem uma família. Ter caminhado, mesmo que por uma curta distância de alguns metros, ao lado daquele homem me fez pensar em toda a minha vida, desde as primeiras recordações que tenho das coisas até os dias de hoje. Foram menos de cinco minutos. E, em menos de cinco minutos, passou um resumo de quase todas as grandes e pequenas coisas que eu já fiz.

Eu não consegui parar de pensar naquele senhor até agora. Tinha um olhar triste e se não fosse pelo cachorro me arriscaria a dizer que trata-se de um homem solitário, que se esconde por aí e que de noite tira um ronco em um canto qualquer. Mas a verdade é que desde que procurei entender o velho senhor, passei a querer entender a mim mesma.

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  1. Jun 29, 2009 @ 15:33 {}

    Ah, que texto mais lindo, chica! E eu sei exatamente do que você fala. A gente pensa que tá meio perdida e tem um medo danado de um dia ‘terminar’ assim (ainda que metaforicamente), né?

    Besos, (e o almoço, hum?)

    [Reply]

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