Procurei algum escrito que pudesse expressar o que agora sinto mas foi em vão. Certa de que esse sentimento não é novo, nem pra mim nem pra outrem; me atrevo a transcrever em linhas o que já não dá mais esconder – e pra que?

Em horas como esta, não consigo conter o sorriso, depois de procurar e procurar sentido pros dias. Fosse aqui ou lá longe, havia, sim, um vazio que só haveria de ser preenchido quando fosse possível o compartilhar (um dia bonito, com a brisa do aterro, ou um temporal, que nos deixa a esperar horas por um transporte, adiando compromissos).

Não há nada como a simplicidade das coisas. Desde o bocejo ao abrir dos olhos no domingo de manhã, o sorriso com açaí, o dar as mãos, de um jeito que só ele dá (meio atrapalhado, ainda mais se estiver cheio de coisas por carregar – os pratos, o colchonete de acampamento, a mochila do fim de semana). É tudo tão peculiar, bonito e nosso que chega a doer a saudade que fica quando ele se vai. Nem mesmo a bolha no pé ou o suor que escorre nas costas consegue ofuscar o sorriso bobo que me acompanha quando ele me acompanha.

E toda essa conversa mole pra dizer que a vida vai bem e mais feliz desde que deixei a luz do dia entrar e fazer a casa mais completa. Foi só depois de me conhecer que pude reconhecer um amor total, sincero, tão rico, cafona e tranquilo.

(Escrito em 18/11/08, antigo blog. Tudo ainda é tão fresco…)