Eu gosto de encontros por acaso.

Ontem, vindo da faculdade, sono, fome e uma leve irritação pós-aula, atravesso a rua e só escuto a voz dela, era a Fernanda, uma amiga dos tempos de escola.

Papo vai, papo vem, a gente relembra rapidamente dos recreios, das fofocas e desenterra alguns personagens daquela época tranquila e sem muitas preocupações. Quem não gosta de uma fofoquinha, mesmo que fora de hora?

E nesse meu reencontro com a Fernanda eu vejo o quão passionais nós duas éramos e, ainda somos. O tom de voz, o gesticular, a festa que a gente faz pra falar de algo. Fora o dramalhão amoroso, é sempre um capítulo de novela mexicana, com direito à trilha sonora de fossa “braba”. E o mais legal é que a gente ri de tudo, sempre riu.

A Fernanda faz parte de uma etapa da minha vida muito bacana. A gente treinava toda terça e quinta no time do colégio – vôlei – e toda segunda sentávamos juntas pra falar da nossa paixão em comum – o Vasco. Era sempre uma guerra com os meninos da sala, em sua maioria flamenguistas. Ainda bem que no terceiro ano (1999) o time começava a embalar rumo a uma fase lindíssima (essa fase eu VI, meu pai não precisou me contar re re re). Mas era também com os meninos que a gente batucava na mesa vários pagodes. Era Raça Negra, Só Pra Contrariar, Molejo… Vou te falar? Que coisa boa que eram aqueles dez minutinhos antes da professora chegar . Física eu não aprendi mas as letras dos pagodes, até hoje sei cantar tudinho!

E eu ainda ia encontrar a Fer fora do ambiente escolar. Foi graças a ela que eu tive a chance de trabalhar na American Airlines e conheci tanta gente bacana por lá, gente que me ajudou bastante até quando resolvi ir brincar de casinha nos Estados Unidos. E é aquele famoso clichê: certas pessoas podem sumir por algum tempo, mas quando aparecem é como se nunca tivessem sumido.

pugg