ame, simplesmente
Você ama o que vê quando se olha no espelho?
Não é novidade pra ninguém que vivemos uma época que ainda cultua a magreza doentia, aquela obtida não com uma alimentação saudável ou academia mas com medicação contra-indicada, regimes mirabolantes (dieta da lua, do sol, do povo inca, da novela das 20h…).
Modelos magrelas que em nada retratam a realidade do século XXI, dominada por fast foods, cerveja e sedentarismo. Se pegarmos a própria rotina dessas modelos, a gente sempre escuta “como de tudo, adoro uma batata-frita”, well, ou o seu metabolismo é muito acelerado a ponto de te deixar com 50kg ou então é um grande caô essa conversa.
Quando eu tinha uns 15 anos, era bem magrinha. Mas dessas magrinhas que tem peitão e perna mais grossa. Fazia vôlei, malhava, era super “geração saúde”. Lembro que algumas amigas eram um pouco mais rechonchudas e volta e meia comentavam como eu podia comer de tudo e não engordar nada. Cheguei ao ponto de fazer dieta da engorda pra ganhar mais massa, porque eu malhava tanto, queria ter pernão, bundão.
Hoje, com 27 anos, a realidade é outra. O vôlei ficou no passado, a academia também. Aliás, eu não tenho saco pra academia. Música chata, aparelhos suados, aquela repetição monótona, não dá. Fora o tempo, que é praticamente inexistente. Ou eu almoço, durmo e estudo ou malho. Vida de quem trabalha e estuda é assim: abre-se mão do bar na sexta-feira com o povo do trabalho, da pizza com os amigos e da academia, do pilates, do kung fu.
O peso anda acima do desejável. Mas se tem uma coisa que eu não aceito é que isso vire uma paranóia na minha vida. E sabe por que? Porque eu amo o que vejo refletido no espelho.
Cada pedacinho. O rosto que hoje tem acne graças aos hormônios desequilibrados; o cabelo que não sabe se enrola ou se estica; o peito, que podia ser menor, a batata da perna também, a barriga nem se fala… Mas aí eu penso que com uma blusa mais soltinha, tudo acaba sumindo e fica bonito! Porque o bonito não é ter um ombro saltado, quase somaliano, quando a gente sabe que não é natural daquela pessoa, quando pra chegar naquele resultado a pessoa simplesmente não come ou, em casos mais tristes, sofre de distúrbios alimentares. Propagar uma magreza desse tipo chega a ser cruel com os mais jovens que, cada vez mais, padecem diante desse apelo, quase uma doutrina, que incita mulheres a não se amar e se tornarem um exército de pessoas sem alma, que fazem de tudo para caber em um vestido.
É difícil remar contra a maré. É difícil convencer uma geração a não ceder aos apelos da moda, do corpo ideal (ideal PRA QUEM?). Mas a gente não pode desistir. Por isso, repito, vamos nos amar? Do jeito que somos? Dá pra malhar, pra ficar mais fininha? Vai lá, corre atrás! O negócio é correr atrás de forma consciente, sem fazer mal pra si mesma. De que adianta um jeans 36 quando a nossa cabeça tá toda zoada? Amor próprio destruído? Não vamos nos enganar.
Fotos: duas primeiras, peguei no Tumblr e não tinha referência.
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7 Responses to "ame, simplesmente" | Add yours »
Raquel, as meninas crescem já querendo ser ‘modelo’, já viu? Menina de 8/9 anos fazendo dieta, absurdo! E não poder deixar os ossos adquirirem o tamanho natural, além de um monte de bobagens que essas fabriquetas de modelos estipulam. Eu, heim? Gostei imenso do seu texto!! Beijus,
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Sensacional!
Escrevi um comentário gigante mas apaguei porque tinha virado um outro post.
Nego corre atrás da felicidade a qualquer custo, mas em direção contrária.
E eu amo você e essa barriguinha.
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Fantástico
… de certa forma fiz até um coro, com o que escrevi no tzaum: a gente só conhece o que vê. E se a gente consegue parar no espelho e ficar à vontade, é um ótimo sinal de que conhecemos quem realmente precisamos conhecer, a fim de fazer com que o resto seja o resto. Cena bem divertida [essa, de olhar no espelho] que repito diariamente, também desprovido de qualquer incomodo com o que estou por fora. Por dentro, estou em paz. E essa paz não tem preço, nem peso, nem jeito melhor… ótimos dias procê!
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mulheres são naturalmente voluptuosos e curvelíneos reservatórios de gordura. é o natural. o homem não, sempre foi o caçador, coisa e tal… se bem que hj em dia, o machismo fez da mulher uma escrava do espelho e dos homens um barril de cerveja e salaminho.
irônico, né?
acho lindo mulheres que se aceitam, mais ainda homens que amam essas mulheres. eu tenho essa sorte… de alguma forma, foi o apoio de uma peça rara dessas (homem que vê mais do que um tanquinho) que me fez passar pela cirurgia que passei ontem: redução de mama… difícil explicar pros outros prq eu tiro fora numa época que todo mundo bota. tirei prq me sentia masculina com seios grandes e flácidos, que me faziam parecer maior do que eu era, que me traziam dor e que masculinizavam o meu busto, vez que era reto (prq as “meninas” ficam lááá emabaixo).
hj o pós operatório dói e encomoda, mas tô feliz á beça… vou ser menina, com seios de 26 anos e não de 66… acho que vale tudo pra se fazer feliz, se fazer feliz pra complementar aquilo que já amamos tanto. mas não para cumprir com um esteriótipo, se violentar, alimentar a doença do espelho.
conheço isso tão de perto!
não vale a pena!
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Luto todos os dias por essa aceitação. É uma batalha dura e constante. Interessante perceber que, a cada ano que passa, a batalha torna-se ao menos mais lúcida, porque tenho cada vez mais a consciência de que eu sou minha maior inimiga. Inimiga da minha tranquilidade, meu prazer.
As coisas ficam melhores quando você se ama, se aceita e vê que é você que tem que ser sua melhor companhia e lutar por sua felicidade.
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AMEI o post!;)
Precisamos repassar essa idéia!
um beijo
parabéns pelo trabalho
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carla had this to say, eu sou ao contrario eu tenho quartoze anos ano passado eu tive animia fiquei muito magra as pessoas falavam como vc ta magra daqui a pouco vai sair voando eu fiquei trite entrei em depressao eu sei que hoje a busca e pela magreza eu eu odeio me olha no espelho tantos que as pessoas falou que eu era magra acabei colocando na cabeça hoje eu tenho bundao pernao sou magra de barriga mais eu nao consigo me olhar no espelho e fala eu to satisfeita comigo mesma obrigado por deixarem eu me desabafa
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