sem cebola, sem pickles.
sobre o que passou…
Não tem como não falar nesse assunto de novo, se eu durmo, sonho e acordo pensando em como vai ser duro deixar essa minha vida aqui. Sei que eu vou voltar pra minha casa, pros meus amigos, pra minha família… Mas cara, não é moleza! Esse cantinho de um quarto e sala passou a ser o meu lar, a minha cozinha, onde aprimorei os dotes culinários, muitos franguinhos ao shoyu, saladinhas, pizzas. A sala, onde vi tantos filmes, algumas vezes com a legenda em inglês pra eu poder entender tudo direitinho. A geladeirinha, onde guardo os potinhos de sorvete, a sobras da janta, onde guardei meus sanduíches que levei todo santo dia pro trabalho. As garrafas d’água, de suco e até de Mate Leão, que trouxe do Brasil.
Não é fácil dar adeus a uma parte de você.
E por coincidência, tem chovido nos últimos dias, o que só aumenta a minha melancolia e saudade antecipada de cada pedaço daqui.
Uma semana e quando eu abrir os olhos, estou sobrevoando o Rio, e com a minha família me esperando. É muita emoção pra um coração, em tão pouco tempo. Parece que foi ontem que eu cheguei aqui, com as minhas malas, frio. Lembro de quando a gente se abraçou, demos as mãos e subimos o elevador. E de toda a curiosidade de um em relação ao outro. Lembro das brigas, dos jantares, dos presentes de Natal. Lembro da ausência no meu aniversário e no ano novo. Lembro da intensidade da nossa relação, com tantos altos e baixos. E, mais uma vez, a despedida, sepultando de vez qualquer tipo de sentimento, amor. Caminhos que se encontram, se complementam por um tempo e decidem seguir separados.
Daqui a uma semana, nesse exato momento, estarei num avião da American Airlines, poltrona na janela, sobrevoando o Atlântico. Sozinha, engolindo o choro de tristeza e felicidade. Contendo sentimentos prestes a transbordar. Vai ser muito gostoso rever pessoas essenciais, que me fizeram tanta falta. Ao mesmo tempo em que deixo por algum tempo alguém que me ensinou muita coisa, como me bastar. Eu queria muito poder ter as duas coisas, como eu queria! Mas…
Enfim, eu não vou negar, eu estou triste. Não quero me despedir, não quero chorar, não quero sentir aquele nó durante um dia inteiro, até poder abraçar alguém de novo. Dói demais. Que passe logo.
(escrito em 08/09/08)
E passou. Sobrevivi, cá estou. Plena, serena e completa, como nunca estive antes. Certas dores machucam tanto a alma que acabam tendo efeito contrário: em vez de nos derrotar, jogando uma pá de cal no que sobrou, nos enchem de coragem e vontade de viver ainda mais intensamente.
| Print article | This entry was posted by Raquel on March 16, 2010 at 1:00 am, and is filed under conversas, cotidiano, nostalgia. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |





about 5 months ago
Parece que foi ontem, né? Admiro sua força, Moranguinho.
Vida que segue, e cada vez melhor!
about 5 months ago
Sei BEM o que é isso. Mas a grande e melhor verdade é que tudo passa e EVOLUÍMOS.
=]
about 5 months ago
diria até que doer é um recado do corpo e da alma avisando: presta atenção, que de hoje em diante vc vai fazer melhor do que isso. Dai voce escuta e cresce. Dai voce entende, e amadurece. O tempo passa, a gente lê e ri [ou até chora!]. E carrega naquela alma um orgulho danado de ser quem se é =).
about 5 months ago
Certamente… Há dores que servem para nos dar mais vontade de viver. Sei como é isso.
Bjitos!