dia 12 – um conto
O conto de hoje vem de mãos que souberam definir melancolia, saudosismo e tristeza de um jeito tão tenro e belo que, por mais que doa, seduz: Clarice Lispector.
Dá-me tua mão
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
[Intro] Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este em 10 dias
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With Little Sound: 1 fotografia por 1000 dias 














