No escurinho do cinema: “From The Sky Down”, o documentário do U2

Festival do Rio é sempre uma delícia, mesmo quando a gente não tem tempo de assistir a todos os filmes que a cada edição marcamos no caderninho de afazeres com a observação “PRECISO ASSISTIR”. Pra mim, ir ao cinema sem ser aos finais de semana, se tornou quase impossível, que dirá me deslocar na cidade em busca de salas que estão exibindo os filmes da wishlist. Coisas do mundo pós-moderno (você trabalha, trabalha e vida vai passando…).

Mas ontem foi diferente. Sexta, meia noite. Dia e hora da primeira exibição do documentário “From The Sky Down” na América Latina. E eu tinha convites. E como vocês, sabem (ou deveriam saber) U2 é a banda da minha vida.

Já tinha assistido ao trailer pra ter uma noção do que vinha por aí. “From The Sky Down” tem como objetivo principal mostrar o momento em que o U2 quase foi pro saco, mostrando uma espécie de linha do tempo da banda com foco nos conflitos que os integrantes enfrentaram internamente. E toda essa história vem a tona por conta do relançamento do disco Achtung Baby, que completa 20 aninhos e que, na época, assinalou esse momento de transição da banda: o amadurecimento de questões pessoais, os rumos que a banda estava tomando e o que queriam dali pra frente. Porque toda grande banda passa por um momento de reinvenção e com o U2 não foi diferente.

Pra quem é fã, é must see. Pra quem não é, vale a pena também. A gente vê o outro lado dos caras, o lado humano mesmo. Eu adoro documentários de bandas e mesmo se não fosse a_louca pelo U2 curtiria bastante. Pra gente que tem lá os seus 30 anos, é muito bacana ver as coisas acontecendo no filme: a queda do muro de Berlin, as influências musicais, a atmosfera oitentista.

O que mais me emocionou nesse documentário foi ver, de fato, o amadurecimento da banda. Em todos os aspectos. Lembro da primeira vez que ouvi U2, o primeiro show e quando a gente vê o que eles são hoje, é assustador. Acho que ninguém, no fundo, planeja uma trajetória e tem certeza do que vai se tornar. “From The Sky Down” mostra bastante isso e martela em uma questão que praticamente todas as bandas enfrentam: o que queremos com a música que fazemos?

U2 tocou corações e ainda o faz. Porque tem alma ali, em cada acorde, em cada nota e melodia.

Fechando o post, “One” que pra muitos é uma música baladinha, danada pra fazer um climão-pegação. “One” é, na verdade, a tradução do “estalo” que levou Bono, The Edge, Adam e Larry a continuarem juntos.

We’re one, but we’re not the same
We get to carry each other, carry each other