Conversinha de Natal

O Natal chegou e com ele vem sempre a certeza de que o tempo está passando rápido.

Há 12 anos, meus anos eram medidos com duas férias escolares e períodos de provas. Nas férias, a certeza de poder dormir até mais tarde e assistir aos filmes da Sessão da Tarde. Comer como se não houvesse amanhã também fazia parte dessa época, eu era tão magrelinha que mandava qualquer coisa pra dentro e o corpinho continuava em forma.

O Natal hoje tem outro significado pra mim. Aliás, a cada ano que passa, ele ganha mais peso e importância. Esse ano, será o primeiro Natal sem o meu irmão em casa – agora que ele é um homem casado. É também um momento de pensar sobre as conquistas de 2011. Porque, por mais que ao virar do ano eu continue no mesmo emprego (graças a Deus), com o mesmo namorado e morando (ainda) no mesmo lugar, é como se tivéssemos a oportunidade mágica de zerar certas pendências, fazendo votos para que o próximo ano seja ainda melhor.

A grande verdade é que a gente nunca vai saber o que nos espera nos próximos 12 meses. Mas é aquela: boa parte do que está por vir está sendo construído, a cada dia, por nós mesmos.

Amo o Natal não só pelos presentes mas pela oportunidade de ficar ainda mais próxima da minha família, mesmo que por uma tarde. Na cozinha, assando junto com o peru de Natal, a gente conversa e sempre passa um filme desde o dia em que eu comecei a lembrar de tudo e todos. Hoje, com quase 30, ainda lembro dos primeiros natais, com chuva, à espera do “papai noel” (que a gente sempre soube que não existia). E assim vieram os primeiros vídeo games, o ferrorama, a casa da Barbie e, mais do que isso, mamãe, papai e vovó juntos. Sempre juntos!

Minha infância foi muito marcada pelo Snoopy e, como toda criança, eu tinha os meus personagens favoritos. Um dos meus preferidos era o Charlie Brown, que sempre me chamou atenção por toda a melancolia e tristeza que aquele menininho sentia.

Eu era viciada no especial de Natal deles e mesmo com o passar dos anos, essa cena aqui nunca saiu muito da minha cabeça:

Charlie Brown nunca entendeu o espírito do Natal. E eu me refiro a “Natal” não como uma data religiosa ou comercial mas como um momento pra estar junto, uma pausa meio que obrigatória pra que as pessoas possam conversar e se curtirem. E eu vejo tantos “Charlie Browns” por aí…

Na dúvida, eu prefiro aproveitar a data pra desejar aos meus amados tudo o que não consigo fazer ao longo do ano, seja porque a gente “não tem tempo” ou porque acabou não rolando: amor, tranquilidade e serenidade para seguir o resto dos dias.

Publicado por
  • Cris

    Que bonito! Eu fico que nem manteiguinha derretida no Natal. Penso (e choro) mais do que de costume! Mas sempre vale a pena. Beijos e bom Natal!

  • http://www.tem-que-ser.blogspot.com/ ge

    Ai, Raquel! Sempre fui fã demais do Charlie Brown e me identificava demais com a melancolia dele em tantos sentidos. Esse ano, quis me presentear com um livro das tirinhas, mas faltou grana. Preferi dar presentes pra minha família, que foi tão boa pra mim esse ano, como tem sido em todos os outros. Para mim é sempre uma sensação esquisita e que eu quero que passe logo. Mas de fato, tem coisas do ritual que fazem a gente se sentir pertencendo a algum lugar!

    Beijos e um feliz natal!

    • http://sempickles.com/ Raquel

      Eu sempre quis entender o que faltava na vida do Charlie Brown.
      O mais bizarro é que ele tá sempre buscando respostas pra suas perguntas e ao mesmo tempo acaba se frustrando tanto… a melancolia e a tristeza parecem um círculo vicioso.

      Mas a doçura com a qual ele lida com as situações, sempre tão ingênuo e puro… é apaixonante. Dá vontade de carregá-lo no colo e falar “Charlie, vai ficar tudo bem”…

      Um beijo, querida! E Feliz Natal procê (em breve, deve chegar uma certa coisa por aí…)