sem cebola, sem pickles.
conversas
dia 14 – um livro não-ficcional
Sep 3rd
O escolhido é:
1968: O Ano Que Não Terminou, de Zuenir Ventura
Meu exemplar veio da minha mãe, que leu quando era mais novinha. Lembro que o li ainda nos tempos da escola e, claro, PIREI. Foi um dos livros que me fez um tantinho mais engajada em ALGUMA COISA e que me incentivou inclusive a fazer História.
Aliás, essa coisa toda é muito engraçada. Parece que conforme vamos envelhecendo, vamos também amadurecendo certos ideais. A revolta e o espírito de justiça vão cedendo espaço a certos conformismos, não no sentido negativo da coisa, de acomodação mas de aceitar que muitas vezes estaremos de mãos atadas e que a vida é assim mesmo. Parece que a inquietude floresce e o coração se acalma.
sobre os que se foram
Aug 30th
Hoje seria aniversário do meu avô, se ele estivesse vivo.
Aliás, é o primeiro aniversário dele SEM ele. Fora o aperto no coração, culpa da saudade que a gente sente do que foi bom, cai a ficha da única certeza que temos na vida: que um dia vamos todos deixar de existir.
É o relógio da vida fazendo “tic-tac”, obrigando a gente a se acostumar com o fato de que daqui pra frente é tudo uma grande contagem regressiva.
Quantos ainda veremos partir? Quanto ainda vamos chorar?
Onde quer que ele esteja, espero que esteja em paz.
dia 12 – um conto
Aug 27th
O conto de hoje vem de mãos que souberam definir melancolia, saudosismo e tristeza de um jeito tão tenro e belo que, por mais que doa, seduz: Clarice Lispector.
Dá-me tua mão
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.
dia 09 – uma foto que você tirou
Aug 24th
Uma das minhas fotos preferidas, so far.
Um grande amigo.
Um lugar lindo.
Um tempo de descobertas.
Mais fotos espalhadas pelas internetes e aqui, no meu Flickr.
dia 08 – uma foto que te deixa irritado / triste
Aug 20th
Tudo que é vivo nasce, cresce, vive, se reproduz (ou não) e morre.
Infelizmente, não era pra morrer assim, com tantos pedaços de lixo dentro de um corpo tão frágil. Albatrozes assim como tantas outras aves são seres que, em busca de sobrevivência, parecem cavar a própria cova. Ao ver uma foto dessas, a vontade que dá é de catar cada pedaço de plástico e outros lixos que poluem os mares a dentro e matam diariamente milhares de animais ao redor do planeta.
A poluição não deixa de ser uma violência, contra os animais e contra a própria humanidade.
O que podemos fazer para tentar minimizar esses impactos negativos?
dia 06 – uma experiência inesquecível
Aug 17th
Uma das coisas mais legais que eu já fiz na vida, sem dúvida, foi ter ido pra Vail, nos Estados Unidos, morar lá por uns tempos.
Além da experiência de morar sozinha e poder consumir feito louca alucinada nas terras do Tio Sam, vivi a sensação de ver neve pela primeira vez.
Tentativa de boneco de neve. Nesse dia a neve não tava legal pra bonecos.
Amanhecer na montanha. E um rabo de cavalo gigante.
É fofinho e gelado. E molha.
A primeira vez que vi tudo branco me deu vontade de chorar. É tudo tão diferente! Cada cor ganha mais destaque, por mais que a paisagem não varie muito de branco, verde (das árvores) e um cinza, dos dias nublados (alternando com dias de céu azul e frio que corta a alma).
Saudade.
dia 01 – sua música favorita
Aug 10th
A gente sempre tem uma música favorita. Pode ser que, de tempos em tempos, ela mude. Daí, quanto mais o tempo passa, maior fica a seleção e quando você se dá conta não tem apenas uma-música-favorita mas um álbum inteiro.
Pra responder a essa pergunta, recorri a uma das pessoas que mais me conhece na vida, meu irmão, para que eu pudesse escolher apenas uma, que vai representar tantas outras nesse meme. Ele não levou nem um minuto para ser direto na resposta: 1979, do Smashing Pumpkins.
Cool kids never have the time
On a live wire right up off the street
You and I should meet
no ipod: arcade fire – the suburbs
Aug 1st
Arcade Fire por si só já exalta nos ouvintes toda a melancolia possível e cabível em um ser humano. Seja pelos duzentos instrumentos tocados em cada faixa, pelo vocal quase sussurrado e toda a atmosfera de letras que remetem a saudades.
Para mim, Arcade Fire significa o frio de Vail (Colorado, Estados Unidos), os passeios sozinha aos sábados ensolarados, porém frios, onde o meu ipod era meu melhor amigo e criava toda uma atmosfera companheira, acolhedora e pacífica. É o típico caso onde a música se mostra extremamente poderosa, transformando qualquer tristeza e solidão em algo mágico e inesquecível. Arcade Fire, pra mim, é parte de uma libertação pessoal e espiritual. Tenso, né?
Pois bem, os caras lançaram um álbum INCRÍVEL, sério, quem conhece e GOSTA da banda sabe que é difícil superar o que já é bom. Três anos após Neon Bible, que seria o álbum mais obscuro dos canadenses (em contraposição ao Funeral, cheio de musiquinhas felizes e saltitantes), vem o The Suburbs e dá um chute na nossa bunda. Pra mim, o melhor álbum deles.
Sometimes I can’t believe it
I’m moving past the feeling
Sometimes I can’t believe it
I’m moving past the feeling again















