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Como ser um doador de medula óssea

No sábado, conversando com a querida Domi, conheci melhor um projeto do qual já tinha ouvido falar, o REDOME. Traduzindo: Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Como o maior inimigo de qualquer coisa é a falta de informação, conversei bastante com a Domi que havia acabado de passar pela experiência do cadastro e achei que devia trazer o assunto aqui pro blog.

Você certamente já conheceu alguém que tenha pedido ajuda para transplante de medula óssea. Também deve ter ouvido falar do quanto é difícil encontrar um doador compatível. Por isso, o SUS e algumas ONGs não tem poupado esforços em campanhas divulgando a iniciativa. Mas a gente sabe que o povo continua com dúvida, cheio de perguntas e, em alguns casos, até com medo. Há muito ruído ainda e nada melhor do que buscar no site da REDOME algumas informações. Colocarei em aspas aqui no texto o que achar mais interessante.

Mas, afinal, como eu poderia ajudar?

Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo, geralmente um dos pais), a solução para o transplante de medula é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros, amarelos etc.) semelhantes, mas não aparentados. Para reunir as informações (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas) de pessoas que se dispõem a doar medula para o transplante, foi criado, em 1993, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), instalado no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), a partir 1998. Desta forma, com as informações do receptor, que não disponha de doador aparentado, busca-se no REDOME um doador cadastrado que seja compatível com ele e, se encontrado, articula-se a doação. 

O que isso quer dizer? Que ao fazer o seu cadastro, você ajuda o INCA a encontrar um possível doador para quem necessita de transplante. E ao contrário do que muita gente pensa, esse primeiro passo não é (tão) dolorido, você não precisa fazer jejum e nem tem grilo ter bebido ou feito tatuagem na véspera. Além disso, você não é obrigado a doar sua medula caso seja compatível e convocado.

O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos Registros dos Estados Unidos (quase 7 milhões de doadores) e da Alemanha (quase 5 milhões de doadores).  A evolução no número de doadores ocorreu devido aos investimentos e campanhas de sensibilização da população, promovidas pelo Ministério da Saúde e órgãos vinculados, como o INCA. Essas campanhas mobilizaram hemocentros, laboratórios, ONGs, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral. Desde a criação do REDOME, em 2000, o SUS já investiu R$ 673 milhões na identificação de doadores para transplante de medula óssea. Os gastos crescerem 4.308,51% de 2001 a 2009.  

Foi nesse papo com a minha amiga que também conheci o projeto Ajude Rodrigo. Rodrigo tem 35 anos e foi diagnosticado no começo do ano com leucemia mieloide aguda. Desde então, está realizando diversos testes e quimioterapia. Em paralelo, segue em busca de um doador compatível com seu DNA, além de movimentar uma campanha de conscientização para que mais gente possa ser beneficiada.

Quer entender melhor como você pode ajudar no mapeamento de possíveis doadores? Clique na imagem abaixo para assistir a uma rápida apresentação.

Ok, Raquel! Quero MUITO ajudar e ser um possível doador!

É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos hemocentros de cada estado. No Rio de Janeiro, além do Hemorio, o INCA também faz a coleta de sangue e o cadastramento de doadores voluntários de medula óssea, de segunda a sexta-feira, de 8h às 12h. Não é necessário agendamento. Para saber mais, ligue para (21) 3207-1580.

Para se cadastrar, é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. Ao procurar o hemocentro mais próximo de sua casa, será agendada uma entrevista para esclarecer dúvidas a respeito das doações e, em seguida, a coleta de uma amostra de sangue (5 a 10 ml) para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador). Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.

A doação da medula em si é um procedimento que se faz em centro cirúrgico e que pode assustar num primeiro momento porém é realizada de forma super segura, sob anestesia peridural ou geral. Nos primeiros três dias após o procedimento, pode ocorrer um desconforto localizado, nada que não possa ser amenizado com medicação e repouso. Em pouco tempo, todas as atividades habituais já podem ser retomadas. Um “pequeno sacrifício” diante de todo o significado que esse gesto de amor possa representar.

Vamos ajudar? :)

REDOME
Rua dos Inválidos, 212 – 11º andar – Centro – Rio de Janeiro / RJ
Telefone do REDOME.: (21) 2505-5656 / 2505-5639 / 2505-5638
E-mail: redome@inca.gov.br

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D56H22 Paper doll graffiti in a public street - Rome
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Ensaio sobre ser a chatonilda do rolê

Faz tempo que li esse post aqui. Lembro que na época, a identificação foi imediata. É exatamente assim que me sinto, a chata do rolê. Como se fosse um grande absurdo lutar pela causa feminista. Mas acho que é assim mesmo né, gente? Quando lutamos por uma causa. Se sentir o pentelho, mesmo quando você dá pitacos de vez em quando. Se sentir o ET por dizer que uma coisa incomoda e aí vem mó galera e fala “cara você tá viajando”. Não deveria ser assim, afinal é uma coisa que eu sinto (e isso devia ser respeitado). Porém, é assim que me sinto.

Daí eu lembro de alguns debates que participei ao longo dessa vida, não somente em redes sociais mas em conversas de bar, de centro acadêmico, onde eu sempre fui minoria (fosse por ser mulher ou por ter uma opinião contrária). É impressionante como por ser minoria a maioria te humilha e pisa em cima do que você pensa, como se fosse uma merda de opinião. Mas, graças a Deus, nunca me acovardei.

Uma coisa é certa: o machismo está tão enraizado em nossa cultura que fica difícil enxergar fora dessa bolha. O BuzzFeed soltou um post ontem que diz muito sobre o que nossa sociedade pensa. Tem pitadas de humor mas né, só rindo pra não chorar.

Eu não preciso coçar o saco que não tenho pra ser igual a um homem. Eu posso sim fazer sexo com quem bem entender e merecer o seu, o dele, o respeito de todos na face da Terra. Eu posso querer não ser mãe, porque deixa eu te falar uma coisa, é a capacidade de raciocínio que nos diferencia de outros mamíferos – e eu posso pensar e decidir se quero ou não ter filhos. Eu posso aceitar uma gentileza de um homem, embora por trás dessas gentilezas exista sim uma carga história que tem a ver (olha só) com machismo nosso de cada dia. Eu não sou obrigada a achar que “fiu fiu” é elogio e sim ofensa. E por último, não é porque antes ninguém falava nada que ninguém sentia. A escravidão era até pouco tempo e mudou, não é mesmo?

E por último, pra finalizar: homens e mulheres são diferentes em seu DNA porém quando falamos em igualdade, estamos falando de respeito ao ser humano, independente do gênero. Abram a mente para aceitar que feminismo não é a busca pelo lugar do homem. É uma luta por respeito enquanto ser humano! Foi graças aos movimentos feministas que hoje temos algumas leis que nos protegem de crimes hediondos. Aliás, só o fato de leis para tal já nos mostra por A+B que não existe igualdade! Não existe respeito! É tão difícil visualizar esse quadro, meu povo?

Então, eu penso isso tudo aí em cima e mais um pouco. E se isso é ser chato, então call me chata. A chata do rolê. Ihhh chegou a Raquel com aquele papo brabo de feminismo. “Vai estar tendo”. Obrigada, chatos, por existirem. De verdade. Imagina só como os abolicionistas deviam ser chatos no século XIX. Ihhhh lá vem essa tal de Lei Áurea (embora ela não tenha sido tão legal assim). E não, não é uma questão de “não abrir a mente” pra entender o outro lado. Eu fiz isso a vida inteira, até chegar nesse posicionamento. E vamos combinar, no fundo a vida é assim. Você assume um lado, você toma partido, levanta uma bandeira. Ouvir o outro lado é legal mas isso não quer dizer que ao ouvir o outro lado eu vou mudar minha opinião! Faz sentido? Porque é assim que funciona na minha cabeça, acredito que na de vocês também.

Então, é isso. Toma esse texto desabafo aí, galera.

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Pesquisa Maionese 2015 + resultado do sorteio

Finalmente chegou a hora de saber quem é o sortudo que vai levar os livros do nosso 1º sorteio. A culpa dessa demora é da Dilma é da pesquisa que apurei e que eu queria fazer com muito cuidado e atenção. Toda vez que participo de alguma pesquisa, seja de blogs ou então de alguma marca, tenho plena consciência de que estou fornecendo informações importantíssimas e valiosas para terceiros. O mesmo aconteceu por aqui.

Foram mais de 40 participações, de gente que já sabia que acompanhava o Maionese mas também de muita gente que eu não conheço. É legal saber que várias pessoas de diferentes núcleos aparecem por aqui. Obrigada a todos por terem contribuído para que o blog seja cada vez melhor. O resultado da pesquisa segue abaixo:

Pesquisa Maionese 2015

Pesquisa Maionese 2015

O Maionese é um blog que faço com muito amor. É o espaço onde trago assuntos que gosto, que vão desde música a coleções das lojas favoritas. É onde escrevo pequenas crônicas do dia a dia, pensamentos, devaneios. Um cantinho onde compartilho links legais, livros, músicas, bonitezas. Ele já mudou bastante desde o primeiro post e é como se ele acompanhasse as mudanças na pessoa que o escreve. Afinal, estamos em constante transformação!

Alguns feedbacks me chamaram muito atenção e vou tentar ajustar a proposta do blog às sugestões que vocês fizeram. Foi legal saber pelas respostas que 99% dos leitores são… mulheres! Além disso, a faixa etária vai desde 13 a 50+! O forte mesmo fica entre 13 a 30 anos. Seja MUITO bem-vindas! <3 Aproveito para destacar algumas mensagens que achei bem interessantes:

Mesmo sabendo que você coloca sua parte gastronômica no Gordelícias, acho que você e cozinha ornam tanto que me estranha não te ver falar sobre suas aventuras na cozinha/dicas/querências culinárias aqui.

Concordo. Cozinha é algo que amo muito e sinto que no Gordelícias não consigo explorar todos os assuntos que me encantam. Certamente aqui será um espaço para tal. Vou investir nisso!

Posts mais “reais”, pq sei que a autora aplica essas bonitezas todas ao dia a dia, e ~as amigas que moram longe~ gostariam de ficar mais perto 😉

Também quero explorar mais o lado “blog pessoal” do Maionese. Gostei muito de ~abrir o coração~ falando da minha relação com o Smashing Pumpkins, no post do feminismo também… Curto essa vibe e vou trabalhá-la melhor!

Também pediram mais posts e posts em vídeo! Já estou fazendo meu debut, ainda que tímido, no canal do Gordelícias e em breve vou dar o ar da graça no canal do Maionese também. Semana que vem conto mais sobre o desafio que vou, enfim, participar.

Bom, a conversa tá muito boa mas aposto que vocês querem saber quem levou os livros em parceria com a Rocco, certo? O resultado segue aqui abaixo! Antes de me despedir, gostaria de, mais uma vez, agradecer a cada um pelo carinho e pela atenção. Obrigada, de verdade!

Sorteio Maionese 2015

Dicas para novos bloggers | Maionese
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Tá começando a blogar? Confira 7 dicas para iniciantes

Já faz um bom tempo desde que criei o meu primeiro blog. Eu devia ter mais ou menos uns 20 anos quando preenchi meu primeiro cadastro no Weblogger. Infelizmente não lembro do nome que dei no começo, só sei que meio sem querer fui conhecendo um tanto de gente legal. Algumas dessas pessoas mantenho contato até hoje, por sinal.

Pois bem, naquela época as coisas eram BEM diferentes de hoje. Criava-se um blog para falar sobre a vida e tudo que fazia parte dela. Música, faculdade, namoro, devaneios. Era um espaço para desabafos, “ouvidos” por muitos leitores nem sempre tão atenciosos assim (quem nunca recebeu aquele famoso “Oi, adorei aqui, passa lá no meu?” não é mesmo?). Pra galera mais old school, assusta um pouco ver os mais novos tão indecisos a respeito de criar um blog. As dúvidas giram em torno de “como ganhar dinheiro” ou “como me tornar famoso”. E não é pra menos, temos bons exemplos de que o jogo virou, não é mesmo? Mas onde você pode se encaixar se não quer FAMA, DINHEIRO, SEDUÇÃO? Dá pra ser feliz sem esses objetivos, viu? Mas, por onde começar?

Longe de ser a dona da verdade, compartilho com vocês alguns aprendizados que vim acumulado ao longo desses anos. Tem coisa que a gente (in)felizmente só aprende na prática e não tem jeito, não tem receita de bolo. Porém, dá pra galera mais experiente direcionar quem tá começando agora, de alguma forma. Seguem as minhas dicas:

Dicas para novos bloggers | Maionese

 Eu brinco dizendo que alguns blogs já nascem com CNPJ, visto que o blogueiro tem o declarado objetivo de monetizar o espaço de alguma forma. Dependendo do nicho, pode ser um empreendimento muito promissor. E eu digo isso pois alguns segmentos andam bem saturados e a concorrência pode ser mais agressiva. Portanto, definir o objetivo do seu blog é o primeiro passo pra quem tá começando. Vai ser só por diversão? Um experimento? Um laboratório de práticas? Um diário virtual? Um espaço para compartilhar coisas? Coloque tudo isso no papel e assim você conseguirá visualizar os próximos passos.

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 Você já sabe por que criou o blog e agora é hora de colocar a mão na massa. Além de escolher o layout, ajeitar uma coisinha aqui, outra ali, é preciso ter algum tempo livre para pensar no que escrever (além de escrever, de fato). Em alguns posts mais caprichados, eu chego a gastar 2h entre edição de fotos e montagem do texto, revisão… Dependendo do seu objetivo, haverá de investir mais/menos tempo em tarefas que vão desde criar o conteúdo a responder comentários.

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Acredito que esse seja o ponto de virada de muitos blogs hoje em dia. Blogs mais autorais estão com tudo. Não importa o nicho (moda, gastronomia, tecnologia…), as pessoas estão em busca de conteúdos cada vez mais caprichados. Aquele famoso copy + paste já não pega tão bem quanto há alguns anos. Esse ponto, aliás, tem muito a ver com o ponto “7”, que vamos falar mais pra frente.

Dedique um tempo à pesquisa de assuntos que podem ser bacanas de abordar. Assuntos que estão em alta e que você gostaria de emitir alguma opinião. Uma determinada banda que lançou disco novo e você tá doido pra comentar. Aquela coleção nova da loja x, que acabou de chegar nas araras. O que pode ser interessante de mostrar com o seu olhar?

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O Facebook reúne centenas de grupos dedicados a blogueiros. Alguns mais segmentados, outros voltados para divulgação… Euzinha mesmo faço parte do grupo mais bacana de toda a face da Terra, chamado Rotaroots e como eu aprendo e me sinto motivada com a troca entre os blogueiros. Acredito que seja imprescindível fazer parte de algum núcleo onde haja alguma troca de conhecimento. Seja um tutorial para ajustar o layout ou participar de postagens coletivas… Como é enriquecedor ser ativo na blogosfera.

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Esse ponto está ligado ao “3”, aliás devia ter colocado logo em seguida pra não perder o fio da meada. Como é importante ser organizado nesse mundo de blogs. Caderninhos, aplicativos de organização (Evernote, Wunderlist…), você escolhe o melhor jeito. Quantas vezes no meio de uma viagem de ônibus a gente não tem ideias maravilhosas de coisas para escrever no blog? Além de tomar nota desses assuntos, você pode criar um cronograma, para distribuir melhor o conteúdo ao longo do mês, por exemplo. Aliando o cronograma a um calendário, você ainda aproveita data comemorativa para escrever um pouco sobre o assunto, fazendo postagens mais pontuais (Dia da Mulher, Dia dos Namorados…).

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Nada pior do que acompanhar um blog, comentar, interagir no Instagram, no Facebook, e nada da pessoa responder, não é? Não seja esse tipo de pessoa. Você pode ser o blogueiro mais famoso do Brasil ou um iniciante, não é nada simpático ignorar quem está dedicando alguns minutinhos da vida com você! Lógico que quando nossos blogs começam a receber um número grande de interações fica um pouco mais difícil responder de imediato cada um  e tal. Tente reservar alguns minutos dentro da sua agenda para criar e fortalecer esse relacionamento com quem, de alguma forma bem gentil, apóia o seu trabalho.

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Essa dica aqui merece um post it no computador de todos nós. Imprima ao seu blog a sua marca registrada. Quem é você? Onde está você nos textos? Sua visão sobre o mundo, suas ideias, seu olhar? Nada mais sacal do que blog que a gente vê nitidamente que o autor força a barra pra ser bacana, cool, e acaba sendo superficial. Como faz diferença para os leitores perceber que em cada detalhe há um pouquinho de quem escreve naquele cantinho? Nunca esqueça dessa dica!

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Espero que essas sete dicas ajudem vocês que estão começando a se divertir muito com seus blogs. Acima de tudo, é importante que a gente se sinta bem e feliz para que o trabalho flua de maneira saudável. De nada adianta investir tempo, dedicação, se organizar, estudar, abrir mão de um tempo que poderia estar sendo gasto no Netflix para produzir conteúdo forçado, que você mesmo não gostaria de ler. No fundo, não faz nenhum sentido, certo? Blogs precisam ser feitos, acima de tudo, com amor.

Este post faz parte do rotaroots, grupo de blogueiros de raiz que organiza blogagens coletivas e tenta manter a blogsfera viva. Se você se identifica com o projeto, vem com a gente clicando aqui.

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Por que precisamos falar sobre o Dia da Mulher

Levei praticamente a semana toda com esse post aberto. Vinha aqui, escrevia um parágrafo. Linkava uma determinada matéria nas sugestões de leitura. Porém, depois de tantos debates, trocas com amigas e leituras, ele saiu. Minha intenção não é ser dona da verdade mas apenas compartilhar com vocês a minha visão sobre o Dia da Mulher e sobre o feminismo.

O bom da vida é que a gente está sempre aprendendo. Logicamente, quem se abre para o aprendizado constante, que acontece ao ler um livro, ao conversar com amigos ou mesmo em um debate no Facebook… é sempre possível a gente agregar cada vez mais. E é assim que vejo a minha relação com o feminismo. Por mais que sempre tenha me considerado uma pessoa feminista, que sempre lutou de alguma forma para que mulheres fossem respeitadas em sua plenitude, do alto dos meus 33 anos vejo que já escorreguei muitas vezes. E, no fundo, fico feliz de ver que evoluí nesse tempo todo.

Quando eu tinha mais ou menos uns 15 ou 16 anos, lembro que uma colega de classe estava sendo “falada” por ter beijado dois meninos de um grupo de amigos. Sabe quando o pai de um viaja e a turma se reúne pra ver filme e dar aquela azarada, panz? Pois bem. Alguns dias depois, UMA MENINA espalhava pra todo mundo que minha amiga era “piranha”. Não sei de onde veio um sentimento de ódio eterno e lá fui eu bater boca com a guria, dizendo que ela não tinha direito de falar essas coisas. Ela não tinha direito de se meter na vida de ninguém, muito menos de difamar outra menina dessa forma. Eu era adolescente e de alguma forma já não comprava mais aquela vibe “Revista Capricho” (que na época era bem machistinha). Me incomodava certos papeis que eram atribuídos às meninas/mulheres.

Na faculdade, a mesma coisa. Raquel era a “feminista” do grupo. Mas isso era dito pra mim com ar pejorativo, sabe? Não era uma coisa legal, um elogio. Um “nossa, ela se preocupa com as mulheres, que nobre”. O comentário geralmente vinha acompanhado de algum julgamento, alguma piadinha, um desdém. Porque, afinal, era mais uma mulher chata tentando catequizar a galera, sendo exagerada com pequenas coisas, não tendo senso de humor, enxergando gravidade onde há apenas a tentativa de brincar, descontrair com situações.

Não, não e não.

Nas duas épocas citadas, não havia internet como há nos dias de hoje. Não tinha Google, não tinha Facebook. Se a gente queria saber de um determinado assunto, precisava buscá-lo em revistas e livros. Na universidade, tive mais contato com grupos de mulheres que já debatiam com seriedade o assunto mas ainda assim meio que não me aprofundei. Analisando HOJE, não entendo porque me afastei desses grupos de discussão e meio que caminhei sozinha com meus pensamentos. Vejo hoje mulheres na faixa etária que eu tinha na faculdade super engajadas, participando, e sei lá, acho que faltou colar com alguém que eu admirasse, faltou um chamado talvez. Como é importante termos (boas) influências na vida.

Quando digo que continuo aprendendo, explico o por quê: há tantos termos novos que “lá atrás” eu não fazia ideia do que significavam. A gente às vezes pensa que ser feminista é querer igualdade entre homens e mulheres mas ainda insiste em dizer que “a mulher deve se comportar de x maneira”. Muitas mulheres ainda não enxergam pequenos deslizes e acredito que isso faça parte da caminhada. Ninguém nasceu sabendo, certo?

daqui

Essa semana, três marcas trouxeram ao público campanhas publicitárias de cunho feminista. Always e Hope utilizaram discursos de empoderamento para falar com a mulher que ela tem direito sobre o seu corpo. Na teoria era isso, na prática, vimos a Always colocar menstruação e revange porn no mesmo patamar. A Hope até se saiu um pouco melhor mas escorregou em utilizar mulheres bonitas, sensualizando, desvirtuando o foco (ou você acha que o homem, que deveria estar recebendo o recado, tá prestando atenção no que a fia tá falando com aquele tanto de peito em lingerie bonita?). E a Avon, na minha opinião, foi a que mais acertou: lançou uma campanha chamada “Linha 180″ que faz referência ao canal direto para denúncia de abusos sofridos por nós. No fim das contas, confesso que mudei de opinião algumas vezes. Achei péssimo, achei mais ou menos, achei ok, depois achei ruim de novo… fato é: vale a pena terem trazido essa discussão pra roda. Porém, vale a pena associar sua marca, VENDER, usando causas tão importantes como essas? Vale tudo?

E daí eu te pergunto: você acha que precisamos ter um Dia da Mulher? Minha resposta é “sim”. E eu não sei se está certo ou errado existir um ~dia~, tal qual temos o dia dos namorados, simplesmente acho que precisamos de um marco para que a humanidade repense sempre como vem tratando suas mulheres. Porém, não vejo esse dia como uma data pro padeiro te dar florzinha? Muito fofo e tal mas né? Ou então, aquele salão que oferece esmaltação e massagem para as clientes. “Você merece todo o cuidado no dia de hoje”. Daí nos outros dias te arranca os “zôio” da cara na escova. Ou então, aquele e-commerce “smartão” que manda promo de lava-louça, afinal ele só quer que você, mulher, tenha mais tempo para se divertir, ~cuidar dos filhos~. Convenhamos… não é essa a homenagem que queremos, certo?

daqui

Nós queremos empatia, quando dissermos que uma piada é ofensiva. Queremos respeito, seja no trem lotado ou na hora que estamos saindo da academia. Queremos apoio e suporte de nossos companheiros, ao enfrentarmos um dia cheio no trabalho e depois em casa, com as tarefas domésticas. Queremos salários equivalentes, oportunidades, voz ativa. Liberdade para sermos plenas e não aprisionadas em uma sociedade patriarcal, que nos diz como sentar, o que vestir, o que falar.

Essa é a nossa luta. É por isso que precisamos falar sobre o Dia da Mulher. E, mais do que isso, é preciso continuar falando, seja com o namorado, com a avó, com seus filhos. A luta acontece diariamente. Falem mais, falem sempre.

Leituras interessantes sobre o assunto:

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Guia de sobrevivência em tempos de Carnaval

Plena segunda-feira de Carnaval e achei digno e necessário compartilhar aqui no blog o meu Guia de Sobrevivência para essa época do ano. Nunca fui de bloquinho, bailinho, nada disso. Sempre curti os dias de folga para viajar ou simplesmente fazer tudo diferente. Até o momento, sábado e domingo foram dias agitados pois inventamos de visitar amigos em outros bairros e é sempre uma aventura se deslocar pelo Rio de transporte público. Ainda mais morando longe, certo?

Masssss hoje resolvemos colocar as pernas pro ar. Almoço quase janta, lista de filmes para assistir, ficar totalmente entregues apenas esperando o desfile da União da Ilha na TV – ano que vem, SE DEUS QUISER, tô na Sapucaí. Então, se você é como eu e curte o feriadão pra se dar um descanso, tenho certeza que vai fechar comigo nessa listinha abaixo!

:: comer e comer como se não houvesse amanhã ::

Antes do feriado, do caos das filas gigantes com pessoas comprando todo o álcool do supermercado, faço uma lista caprichada de itens que não poderão faltar na minha geladeira no feriado. É a época em que aproveito pra testar receitinhas com calma, almoçar cachorro-quente, jantar pizza, pão de queijo… SEM CULPA!

:: lista de filmes para assistir no Netflix/Popcorn Time ::

Diz aí se você não tem uma listinha de filmes para assistir, acumulada? Pra completar, dia 22/02 tem Oscar e a gente sempre fica naquele desespero de querer saber o que tá concorrendo ao que. Melhor Filme? Quais? Melhor Atriz? Socorro! A Dani Cruz do Mais Magenta compartilhou essa tabela aqui com todos os filmes que estão concorrendo e é um ótimo checklist pra você ir se guiando. No Popcorn Time tem bastante coisa, no cinema também (pra quem tiver como pegar alguma sessão – alguns filmes voltaram a ser exibidos depois de serem indicados).

Birdman: meu favorito, so far.

:: livros, livros e mais livros ::

Da mesma maneira que você tem aí uma lista de filmes para assistir, boto fé que a pilha de livros tá dobrando o Cabo da Boa Esperança. ACERTEI, né? Aqui em casa recebi livros maravilhosos na última semana, sem falar que estou finalizando mais dois. Cadê tempo pra terminar a leitura de tudo? Talvez hoje. Talvez amanhã. Só um feriado não é suficiente pra tanto livro.

:: colocar a leitura dos blogs favoritos em dia ::

Já foi o tempo em que eu conseguia acompanhar todos os meus blogs favoritos. Hoje em dia, tá puxado. Acabo passando semanas sem visitá-los e isso me deixa um pouco triste porque gosto desse contato principalmente com blogs-amigos. Mas em alguns meses as coisas vão dar uma relaxada e terei mais tempo de respirar. Por isso, separei uma tarde pra zerar o Feedly, abrindo um link ou outro pra deixar comentário (adoro quando consigo deixar comentários).

:: colocar a papelada em dia ::

Quando você vira pessoa jurídica, o volume de notas fiscais, boletos, contas e etc aumenta num grau absurdo. E com a virada do ano, é muito importante separar uma pastinha nova pra organizar tudo, não é mesmo? Que tal aproveitar o carnaval pra organizar a burocracia? Aqueles extratos de banco velhos, ou fatura de cartão com mais de 5 anos… Manda pro lixo, menina! Olha o feng shui!

:: esquecer da vida no Pinterest ::

Eu sempre digo que meu sonho é que alguém me dê “um dia” para ficar “pinnando” coisa até o dedo cansar. Como tô cheia de coisa pra fazer, separei algumas horas pra isso. E como é delicioso! Receitas novas, ideias para arrumar o apê… amo muito essa rede social!

:: maratona de cervejas com os amigos ::

Aproveitei o comecinho do Carnaval para visitar a casa de dois casais de amigos (sábado e domingo na casa de cada um). Lógico que rolou aquela cervejinha marota. Eis uma oportunidade de juntar uma turma bacana e cada um levar uma cerveja diferente. Se a grana tiver mais apertada, pode ser a cerveja mais em conta, desde que não dê dor de cabeça no dia seguinte! 😉

Se você estiver empolgado com academia, como eu bizarramente estou, acrescentaria mais um item à lista:

:: malhar logo cedo, aproveitando o horário especial da academia ::

Tô malhando numa academia que abre domingos e feriados. Isso tem me dado uma motivação extra pra cuidar mais do corpo. Porque quando não consigo durante a semana, acabo indo no fim de semana mesmo e é uma beleza porque tá vazia! Agora no Carnaval então, só tem eu, a recepcionista e os professores, tudo desejando estar no bloco! Faço minha esteira no ar (ratinho de laboratório style) e depois ainda tomo uma água de coco no caminho pra casa! 

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Adoraria aproveitar os dias de descanso pra curtir uma praia mas digamos que os entornos das praias estão dominados por foliões nos bloquinhos, então é algo impossível. Talvez na quinta ou sexta role algo do tipo, o que é bem legal já que boa parte das pessoas ou já vai estar trabalhando ou viajando.

E você, o que curte fazer no Carnaval?

Este post faz parte do rotaroots, grupo de blogueiros de raiz que organiza blogagens coletivas e tenta manter a blogsfera viva. Se você se identifica com o projeto, vem com a gente clicando aqui.