sem cebola, sem pickles.
nostalgia
bonitezas da web: sophie blackall
Jul 18th
Ilustrações com mensagens que fazem o dia de qualquer um mais bonito.
Sophie é uma designer e artista australiana que tem uma lojinha na Etsy incrível. Os desenhos fazem parte do trabalho Missed Connections, que mostram encontros entre pessoas que acontecem de verdade ou não. Algumas ilustrações sugerem o que poderia ter acontecido se o encontro entre os pares se conretizasse. Melancolia, suspiros e boniteza.
Para conferir o trabalho da moça, clique no link.
no ipod: the police
Jun 2nd
Como nem toda segunda-feira consigo deixar post pronto pra tag “#musicmonday”, alterno com a seção “no ipod”.
O fato de sempre ter post musical nesse blog não se deve à falta de assunto. Muito pelo contrário, o que mais tenho é coisa pra postar aqui. Devido à falta de tempo, dou preferência a posts curtos e rápidos. Fora que rola também uma autocensura. Já foi a época em que eu escrevia o que me dava na telha em blog. Hoje em dia, além de zelar pela (pouca) privacidade que tenho online, também zelo por uma vida tranquila, sem “neguinho” enchendo o saco. Pois bem, antes de mais nada, vamos contar uma historinha:
A agência em que trabalho se mudou pra um bairro muito, muito distante de onde (me escondo) moro. Quando o trânsito tá bom, levo cerca de 1 hora e meia para sentar na minha mesinha, com meu Yoshi e demais objetos, podendo planejar em paz. Quando chove, tem acidente ou é sexta-feira, dia mundial do carro na rua, visualizem…
Todo esse tempo em que passo com a bunda sentada em uma cadeira suja, quando sento, não poderia ser desperdiçado em vão. Para tal, carrego sempre um bom livro na mochila e mantenho o iPod carregado de música (nem sempre nova) pois assim posso ter uma vida menos ordinária.
Ultimamente tenho detestado grande parte do que reside no meu iPod, com salvas exceções. The Police é uma delas. São muitos clássicos e a nostalgia invade o meu ser logo pela manhã, enquanto eu deveria estar mal humorada e odiando o universo. Daí me pego batendo o pezinho e mexendo os braços discretamente, tentando acompanhar a as guitarras reaggezentas e pirando nos vocais esganiçados de Sting.
Favorita: Don’t Stand So Close to Me
PS: lembram quando o Sting veio ao Brasil e passeou na Floresta Amazônica?
Falando em The Police, quando morei no estrangeiro aprendi uma brincadeira muito divertida com um amiguinho inglês. Beberrão de carteirinha, ele sempre chegava no trabalho virado e/ou bêbado numa dessas manhãs, compartilhou algo que compartilharei com vocês. Tenho certeza que a próxima festinha da pesada será mais animada (e talvez com alguma ressaca no dia seguinte).
1 – Coloque Roxanne pra tocar;
2 - A cada “Roxanne” que o Sting soltar, dê uma senhora golada na sua cerveja (pode ser drink, tem que ter álcool);
3 – Pronto, é isso. Me conte como ficou depois.
PS 2: se forem dirigir, não brinquem de Roxanne!
PS 3: menores de 18 anos, esse post não é pra vocês! Cresçam e aí sim brinquem disso.
#musicmonday: fleet foxes – it ain’t me baby (bob dylan cover)
May 24th
Um post mais do que rápido para dedicar meu #musicmonday ao aniversariante do dia: Bob Dylan.
O tiozinho tá véio, o tiozinho é até meio mala… Mas merece uma menção honrosa nesse blog, nem que seja sob a forma de cover. Fleet Foxes não deixa devendo e faz um voz e violão macio aos ouvidos.
Essa música, aliás, ganhou muitas versões (Johnny Cash e Joan Baez por exemplo) e é uma das que mais gosto do Bob (que não é o Marley).
PS: post dedicado à Losille, minha preferida das Minas Gerais!
mudança de paradigmas
Apr 29th
Era pra ser mais um dia tranquilo na minha vida. Trabalho feito, um frapuccino delícia (e caro) na Starbucks e aula. A passada no shopping próximo do trabalho me rendeu uma sapatilha linda e cor de rosa (obrigada, querida) e um encontro com ex-companheira de classe dos tempos de Uerj. Abraço vai, abraço vem, fico sabendo que um professor daqueles tempos veio a falecer: um câncer diagnosticado há quatro meses levou o mestre Manoel Salgado pra mundos melhores.
Na hora fiquei meio sem entender. Uma mistura de pesar, surpresa e medo. Algumas pessoas marcam a sua vida de tal maneira que mesmo “adormecidas”, ao despertar, são capazes de te marcar com toda a força do mundo.
Posso dizer que por causa do Manoel, aprendi a ser gente grande na faculdade. Aprendi também que não bastava ser a_CDF da escola se a cabeça estivesse fechada pro mundo. Por causa dele, aprendi tudo que sei sobre História Moderna e aprendi a ler um texto acadêmico questionando fontes, metodologias e tudo aquilo que diferencia um aventureiro entusiasta de um pesquisador. Muitas manhãs brigando com o sono para chegar 08:40 na aula, a tempo de ouvi-lo discursar sobre Norbert Elias, formação dos Estados Nacionais e por aí vai.
Mas mais do que isso, o tio Manoel deixou em mim e em tantos outros estudantes de História uma marquinha que só os incríveis deixam: o espírito da investigação do discurso. Minha vida nunca mais foi a mesma desde que fui beliscada por esse bichinho que impulsiona os historiadores! Obrigada, tio. Sem saber, mudou meu olhar.
Não poderia deixar passar em branco esse momento, por tudo que os 5 anos de dedicação a uma das ciências mais bonitas que já existiu deixaram em mim. Saber da partida do Manoel mexeu comigo de duas maneiras: uma triste, pois a Historiografia brasileira perdeu um nome importantíssimo; e uma feliz pois graças à toda surtação naqueles cinco anos, hoje sigo pelo caminho mais certo (pra mim).
Ps: foi com ele que aprendi o verdadeiro significado da palavra “paradigma”.
a garotinha ruiva
Apr 24th
E surgiu um VHS lá em casa, com umas filmagens jurássicas do aniversário da vizinha. Quem aparece lá, tentando socializar, brincar, participar do festejo com uns cinco, seis aninhos? Euzinha.
Primeiro que vocês devem estar se perguntando: Raquel disse VHS? Vulgo fita magnética jurássica, com tampinha, que você roda no video cassete? Acredito que muitos de vocês nem tenham mais esse aparelho, principalmente os mais novos. Outro dia ouvi de um geração-malhação que nunca ouvira falar disso. Ah, essa garotada criada à base de playstation e orkut…
Segundo que é muita emoção pra um ser humano ser surpreendido com a existência de uma fita que revela momentos da sua infância. Tinha coisa que eu nem lembrava mais, acho que o nosso cérebro bloqueia certas coisas, principalmente na infância. Na fita eu via uma menininha envergonhada mas cheia de vontade de participar das coisas, sem fazer qualquer distinção. De todas as criancinhas do grupo, sem dúvida alguma eu era a mais inocente, sem aquela maldade que a gente vê hoje em dia por aí entre os pequenos. Tanto eu quanto meu irmão sempre tivemos um respeito ABSURDO pelos nossos pais, sabíamos que birra e choro não colavam.
Confesso que bate um sentimento muito estranho ao SE VER. A gente lembra das coisas boas mas das coisas tristes em ser criança. Os sentimentos são puros e moldados nessa fase da vida. Eu hoje vejo o trabalho filho da mãe que meus pais tiveram pra cuidar da gente, além da minha avó, que tomou conta de duas crianças por tantos anos, enquanto os velhos trampavam todos os dias. Claro, vão dizer que antigamente a violência era menor e não existia pedofilia virtual. Mas “antigamente” existiam problemas, existia sequestrador, estuprador, gente safada, existiam crianças malcriadas e por aí vai. Ontem, quando assistia ao vídeo, eu tive a certeza do ótimo trabalho que a minha família fez, ao olhar a garotinha com cara de Moranguinho querendo apenas brincar.
São mais de 20 anos me separando daquela menininha. Quanta coisa ia acontecer na vida dela? E quanto ainda há de vir?
(publicado originalmente em 10 de março de 2009)
5 coisas que me inspiram
Apr 6th
Inspirada por esse post, resolvi montar uma listinha com 5 coisas que me inspiram. Curioso é que provavelmente, no nosso dia a dia, fatores desconhecidos podem despertar em nós os mais tenros sentimentos ou paixões. Mas quando você para pra colocar no papel fica difícil escolher apenas “cinco”. Eu tentei e acho que consegui, quer ver?
COMIDINHAS
Acredito que ser gordinha é mais do que ter uns kg acima na balança: é um estado de espírito. Adoro um site de comidas bonitas e aparentemente saborosas. Dedico boa parte do meu tempo livre navegando por esses sites, entre fotografias e receitinhas arriscadas! Essa foto é do Flickr da Mel Hill.
SAPATOS
Sapatos ditam o que eu vou vestir. Não sei se deveria ser assim mas é como funciona comigo. Devo ter quase 100 pares e, por mais que eu repita um ou outro (todo mundo tem seus preferidos), procuro usar todos eles quando tenho oportunidade! Adoro um salto mas convenhamos que pra bater perna nessa cidade louca que é o Rio de Janeiro só de sapatilha ou tênis, caso contrário é bolha e perna cansada na certa.
LUGARES
Paraty é um deles. De todas as vezes que fui lá, estava nublado (potencializando a melancolia e amor no ar).
FOTOGRAFIA
Desde pequena eu tenho uma relação muito forte com a fotografia. Por volta dos meus 5, 6 anos, encontrei umas fotos antigas da minha mãe, p&b, de quando ela era pequenina, ainda na escola. Não sei porque cargas d’água achei que elas gostariam de dar uma voada pela janela e arremesei uma boa quantidade no telhado do vizinho. Obviamente, minha mãe quis esganar meu pescocinho. Ela ficou super chateada e, assim, aprendi o valor da fotografia: da pior maneira possível (“matando” as memórias da velha).
Cresci, fiz um cursinho básico, comprei umas duzentas câmeras e volta e meia congelo momentos por aí. Essa foto é do namorado.
FILMES
Tem sempre uma lista com pelo menos dez filmes que mudaram a sua vida. Certeza.
E com você? O que te inspira?
sobre o que passou…
Mar 16th
Não tem como não falar nesse assunto de novo, se eu durmo, sonho e acordo pensando em como vai ser duro deixar essa minha vida aqui. Sei que eu vou voltar pra minha casa, pros meus amigos, pra minha família… Mas cara, não é moleza! Esse cantinho de um quarto e sala passou a ser o meu lar, a minha cozinha, onde aprimorei os dotes culinários, muitos franguinhos ao shoyu, saladinhas, pizzas. A sala, onde vi tantos filmes, algumas vezes com a legenda em inglês pra eu poder entender tudo direitinho. A geladeirinha, onde guardo os potinhos de sorvete, a sobras da janta, onde guardei meus sanduíches que levei todo santo dia pro trabalho. As garrafas d’água, de suco e até de Mate Leão, que trouxe do Brasil.
Não é fácil dar adeus a uma parte de você.
E por coincidência, tem chovido nos últimos dias, o que só aumenta a minha melancolia e saudade antecipada de cada pedaço daqui.
Uma semana e quando eu abrir os olhos, estou sobrevoando o Rio, e com a minha família me esperando. É muita emoção pra um coração, em tão pouco tempo. Parece que foi ontem que eu cheguei aqui, com as minhas malas, frio. Lembro de quando a gente se abraçou, demos as mãos e subimos o elevador. E de toda a curiosidade de um em relação ao outro. Lembro das brigas, dos jantares, dos presentes de Natal. Lembro da ausência no meu aniversário e no ano novo. Lembro da intensidade da nossa relação, com tantos altos e baixos. E, mais uma vez, a despedida, sepultando de vez qualquer tipo de sentimento, amor. Caminhos que se encontram, se complementam por um tempo e decidem seguir separados.
Daqui a uma semana, nesse exato momento, estarei num avião da American Airlines, poltrona na janela, sobrevoando o Atlântico. Sozinha, engolindo o choro de tristeza e felicidade. Contendo sentimentos prestes a transbordar. Vai ser muito gostoso rever pessoas essenciais, que me fizeram tanta falta. Ao mesmo tempo em que deixo por algum tempo alguém que me ensinou muita coisa, como me bastar. Eu queria muito poder ter as duas coisas, como eu queria! Mas…
Enfim, eu não vou negar, eu estou triste. Não quero me despedir, não quero chorar, não quero sentir aquele nó durante um dia inteiro, até poder abraçar alguém de novo. Dói demais. Que passe logo.
(escrito em 08/09/08)
E passou. Sobrevivi, cá estou. Plena, serena e completa, como nunca estive antes. Certas dores machucam tanto a alma que acabam tendo efeito contrário: em vez de nos derrotar, jogando uma pá de cal no que sobrou, nos enchem de coragem e vontade de viver ainda mais intensamente.
adeus, vovô!
Feb 15th
A nossa vida muda drasticamente em uma semana. Ou em um dia, em questão de segundos, milésimos.
Há uma semana eu começava a ver tudo mudar, porque SIM, há sempre um marco, um break point onde o preto começa a virar branco e você consegue enxergar esse momento. É uma coisa meio Donnie Darko (quem viu sabe, quando o Donnie começa a enxergar literalmente a trajetória das coisas, o caminho, o destino).
E nesses últimos sete dias, exatos sete dias, eu revivi parte da minha infância, relembrando os momentos que passei ao lado do meu avô e suas histórias maravilhosas. Meu vô, meu ídolo daqueles tempos (hoje meu ídolo é o Stewie Griffin), em uma semana ficou internado e se foi. O coração perdoou tanta coisa e só ficou mesmo a vontade de poder ter me despedido.
Toda a folia do mundo nesse momento não faz sentido algum. Nem toda a cerveja nem todo o Mc Donald’s. Só tenho saudades do “ôô, minha filha”, das balas, dos cacarecos e daquele cabelo pra trás.
Fica com Deus, vô! E obrigada por ter me ensinado tanta coisa, mesmo sem saber.
saudade com sabor de groselha.
Feb 10th
Meu primeiro bolo de aniversário, aquele da Emília, tosquinho, de uma época em que pasta americana nem pensava em existir (transformando qualquer comidinha em uma obra de arte); o meu primeiro instrumento musical – uma cítara daquelas infantis; minhas primeiras bonecas… Tudo ganhava uma proporção que só ele sabia dar. As piadas racistas, os discursos políticos (que exaltavam o Brizola) e os comentários futebolísticos (que em nada influenciaram a minha escolha, pois se dependesse dele, eu seria tricolor). Meu avô chegava de supetão lá em casa, com a bolsa carteiro a tiracolo – mais tarde se tornou uma pochete, ambas de couro, e nos saudava sempre de maneira alegre, de modo que a gente só fosse entender tudo mais tarde. Ele chegava sempre com algum mimo, um presentinho, uma tranqueira que nos fazia feliz e nos fazia os mais importantes de todo mundo. Nos fazia especiais.
Os avós, quando não te criam sendo praticamente sua segunda mãe ou seu segundo pai, são os responsáveis pelas aventuras mais gostosas da infância. Filha de nutricionista, raras eram as vezes em que eu podia almoçar salgadinhos da lanchonete ou friturinhas engordativas. Ou comer balinhas, sorvete e tomar groselha. Mas quando ele nos buscava na escola era certo pararmos na Garota da Ilha pra levar um tanto de coxinhas e bolinhas de queijo.
Um belo dia a gente cresceu e coincidentemente parece que o avô cresceu também. O sorriso se tornou mais raro, as visitas também. Nesse momento, comecei a sentir saudades.
E é assim que a gente começa a entender os por quês da vida. Começa a entender os silêncios e partidas repentinas. Começa a assimilar que todo mundo tem defeitos, inclusive os seus ídolos e o meu avô era meu ídolo. Ele com aqueles olhos claros, cabelo devidamente penteado pra trás, engomado, seeeeeeempre contando suas histórias maravilhosas dos tempos da farda. Quantas vezes ouvi sobre a viagem ao Japão, que nos rendeu uma coleção horrorosa de louças?
Quando penso no meu avô, não consigo mais pensar nas coisas tristes mas somente naquele rosto enrugado e sério que se transformava quando a gente corria pra cumprimentá-lo. Também penso no apartamento que pra mim, pequenina, parecia um mundo sem fim, com tantos móveis e caixas pra apenas um morador. Lembro perfeitamente da sensação de se perder por aqueles metros quadrados; sonhava com o dia em que teria o meu apê e levaria toda a mobília de lá, afinal meu avô não se importaria. Eu penso nisso tudo quando escuto a palavra “avô”: bala Soft, Rockita, Avon, Skinny, massa de pastel, forma de bolo, Bahia, farinha com ovo mole, banana na comida, Rita, Cairu, Fortaleza.
O coração sempre perdoa, né?
















