Categoria → nostalgia
adeus, vovô!
A nossa vida muda drasticamente em uma semana. Ou em um dia, em questão de segundos, milésimos.
Há uma semana eu começava a ver tudo mudar, porque SIM, há sempre um marco, um break point onde o preto começa a virar branco e você consegue enxergar esse momento. É uma coisa meio Donnie Darko (quem viu sabe, quando o Donnie começa a enxergar literalmente a trajetória das coisas, o caminho, o destino).
E nesses últimos sete dias, exatos sete dias, eu revivi parte da minha infância, relembrando os momentos que passei ao lado do meu avô e suas histórias maravilhosas. Meu vô, meu ídolo daqueles tempos (hoje meu ídolo é o Stewie Griffin), em uma semana ficou internado, perdeu uma perna e se foi. O coração perdoou tanta coisa e só ficou mesmo a vontade de poder ter me despedido.
Toda a folia do mundo nesse momento não faz sentido algum. Nem toda a cerveja nem todo o Mc Donald’s. Só tenho saudades do “ôô, minha filha”, das balas, dos cacarecos e daquele cabelo pra trás.
Fica com Deus, vô! E obrigada por ter me ensinado tanta coisa, mesmo sem saber.
saudade com sabor de groselha.
Meu primeiro bolo de aniversário, aquele da Emília, tosquinho, de uma época em que pasta americana nem pensava em existir (transformando qualquer comidinha em uma obra de arte); o meu primeiro instrumento musical – uma cítara daquelas infantis; minhas primeiras bonecas… Tudo ganhava uma proporção que só ele sabia dar. As piadas racistas, os discursos políticos (que exaltavam o Brizola) e os comentários futebolísticos (que em nada influenciaram a minha escolha, pois se dependesse dele, eu seria tricolor). Meu avô chegava de supetão lá em casa, com a bolsa carteiro a tiracolo – mais tarde se tornou uma pochete, ambas de couro, e nos saudava sempre de maneira alegre, de modo que a gente só fosse entender tudo mais tarde. Ele chegava sempre com algum mimo, um presentinho, uma tranqueira que nos fazia feliz e nos fazia os mais importantes de todo mundo. Nos fazia especiais.
Os avós, quando não te criam sendo praticamente sua segunda mãe ou seu segundo pai, são os responsáveis pelas aventuras mais gostosas da infância. Filha de nutricionista, raras eram as vezes em que eu podia almoçar salgadinhos da lanchonete ou friturinhas engordativas. Ou comer balinhas, sorvete e tomar groselha. Mas quando ele nos buscava na escola era certo pararmos na Garota da Ilha pra levar um tanto de coxinhas e bolinhas de queijo.
Um belo dia a gente cresceu e coincidentemente parece que o avô cresceu também. O sorriso se tornou mais raro, as visitas também. Nesse momento, comecei a sentir saudades.
E é assim que a gente começa a entender os por quês da vida. Começa a entender os silêncios e partidas repentinas. Começa a assimilar que todo mundo tem defeitos, inclusive os seus ídolos e o meu avô era meu ídolo. Ele com aqueles olhos claros, cabelo devidamente penteado pra trás, engomado, seeeeeeempre contando suas histórias maravilhosas dos tempos da farda. Quantas vezes ouvi sobre a viagem ao Japão, que nos rendeu uma coleção horrorosa de louças?
Quando penso no meu avô, não consigo mais pensar nas coisas tristes mas somente naquele rosto enrugado e sério que se transformava quando a gente corria pra cumprimentá-lo. Também penso no apartamento que pra mim, pequenina, parecia um mundo sem fim, com tantos móveis e caixas pra apenas um morador. Lembro perfeitamente da sensação de se perder por aqueles metros quadrados; sonhava com o dia em que teria o meu apê e levaria toda a mobília de lá, afinal meu avô não se importaria. Eu penso nisso tudo quando escuto a palavra “avô”: bala Soft, Rockita, Avon, Skinny, massa de pastel, forma de bolo, Bahia, farinha com ovo mole, banana na comida, Rita, Cairu, Fortaleza.
O coração sempre perdoa, né?
#musicmonday: jimmy eat world – clarity
Jimmy Eat World é uma das bandas que fazem parte da trilha sonora da minha vida. Lá pelos meus 18 anos, conheci o som dos caras e ouvi copiosamente por anos. Algumas músicas dizem muito do que eu fui como por exemplo A Praise Chorus, que tocou na minha colação de grau (quando subi no teatro da Uerj de sapatinhos cor de rosa, fluor – tendência, né? – em 2005).
Hoje acordei querendo ouvir algo “do passado” e ter ouvido Clarity me fez sorrir no ônibus – aqueles sorrisos espontâneos que surgem deixando as pessoas em volta curiosas.
Meu #musicmonday de hoje vai pra Jimmy Eat World, ao vivo. Aliás, na minha listinha de “bandas que eu quero ver antes de morrer” entra um show deles. Vai que rola esse ano? Vem tanta coisa boa p’ras bandas de cá, né?
ê ê ê ê a magia chegou…
Esse programa Por Toda a Minha Vida mexeu com a maioria das pessoas da minha idade (e algumas mais jovens), porque, enquanto pros nossos pais o especial dos Beatles MEXE “lá no fundo do peito”, é um especial do Claudinho e Buchecha que nos traz as mais tenras recordações do passado. Ei, você, tá torcendo o bico? Não deveria. Não adianta, cara, BEATLES não é da sua época. Nem Jimi Hendrix. Apenas aceite os fatos, porque Claudinho e Buchecha é um fato na vida de alguém entre 20 e 30 anos.
O bacana é que passava um trechinho da música no programa e logo você se pega cantarolando todo o resto, batendo pezinho no chão e o escambáu…
Tua época foi a do pagode, a do New Kids on The Block, das Spice Girls, da Madonna piranha se esfregando na cruz com um negão, foi dançar tchurururu de Nauru, pochete, com a mão na frente da boca, imitando o Claudinho.
Semana que vem é o especial do Raul Seixas. Raul Seixas, o mais pedido nas rodinhas de violão chatas dos acampamentos, depois de Legião Urbana e seu Faroeste Caboclo (pior que eu gosto de Legião Urbana). Eu duvido que o programa da semana que vem tenha tantas pessoas assistindo como o de hoje – e comentando no Twitter, em tempo real, as usual.
E o que eu quero dizer com esse post? Que é bom reviver o passado, seja por alguns minutos em frente à televisão, seja desencalhando aquele videogame que em algum Natal do passado foi a maior alegria da sua vida. O Atari, o Master System, Odissey, Mega Drive, Nintendo, que seja. Desce a caixa de War e vamos jogar uma partidinha, sem terremoto e jogando os dados na tampa do jogo? Daí a gente faz aquele suco de caju, deixa na jarra e vai bebendo aos poucos. Nostalgia em vez de saudade: é coisa pra quem viveu a vida – de verdade.
adeus, patrick swayze!
Doença devastadora e fulminante levou esse sorriso pra um lugar mais bonito.
re-post: war é amor
(Imaginem só: você mora num lugar onde tudo parece um cenário de filme, estilo Show de Truman. Imaginaram? Então, é mais ou menos isso. E por favor, relevem certas informaçõe do texto pois é antigo, viu?)
.
No último post, comentei sobre o feriado do 4 de julho aqui nos Estados Unidos e sobre como é estranho ter a impressão de que estou num documentário do History Channel, com pessoas vestidas de azul, vermelho e branco, acenando bandeiras do primo rico, com queima de fogos maior que no ano novo, chegando mesmo perto do nosso famoso reveillón em Copacabana, a princesinha do mar.
O assunto me levou a pensar no por quê de revirarmos os olhos quando falamos deles e sobre como é chata essa tradição bélica. Pois bem, como um assunto puxa o outro, acabei lembrando de uma coisa.
War.
A primeira vez que vi o jogo, eu era muito pequena e assistia Xou da Xuxa. Mas meus vizinhos eram grandinhos e viviam no corredor do prédio em meio a jogos de tabuleiro. Banco Imobiliário e suas notinhas que sempre sumiam, Jogo da Vida, Detetive… Claro que teve a época do Atari, Phantom e do RPG também… Mas quando rolava o War… A coisa era séria.
E eu não entendia direito o jogo, como eu disse, na época eu era muito novinha e estava mais interessada no desenho dos Ursinhos Carinhosos ou na minha coleção da Moranguinho. Mas, o tempo foi passando e os vizinhos, já crescidinhos, continuavam jogando aquela coisa. De vez em quando rolavam uns gritos, briga e eu comecei a ficar curiosa. Até que entendi o motivo pra tantas emoções.
Um belo dia, meu irmão e eu ganhamos um War de Natal e foi tipo a_glória. Lembro que ganhamos o War II, que vinha com aqueles aviões. Nunca fui muito fã deles porque de uma vez só te arrancava dois mil exércitos, então tinha vezes que a gente mudava a regra e não usava os dito-cujos. Foram tardes e noites jogando aquele troço. E podia vir a mãe, o pai, quem fosse pedir pra guardar tudo e ir pra cama que não dava certo, entrava por um ouvido e saía por outro. Até o dia em que meu irmão emprestou o diabo pra um amiguinho da escola e a caixinha preta nunca mais foi vista.
Fiquei triste por um tempo porque o jogo era mais MEU do que do meu irmão mas superei o trauma. Cresci mais, ganhamos um Mega Drive, viciei nuns jogos lá e esqueci para sempre o tal mapa com países e cidades que até então eram desconhecidos para mim.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas e depois de “grande”, já na faculdade, quem me aparece no Centro Acadêmico? O War. E em vez de irmos para o bar ou de assistirmos aula, era no C.A. que passávamos um bom tempo jogando. E, impressionante, como sempre dava merda.
Sempre rolavam aquelas alianças imbecis, que volta e meia terminavam em traição, com direito à risadinha maléfica ao revelar o objetivo. E os roubos de pecinhas, e a troca de cartas por debaixo da mesa. Lembro muito quando tinha casal na mesa. Impressionante como SEMPRE dava briga. SEMPRE. E do jogo, a briga ia sempre pro fim de semana em que o namorado deixou a namorada em casa pra ir ver o Campeonato Brasileiro na casa do Jorginho porque ele tinha Pay Per View. Ou do dia em que a guria inventou de ir no shopping e passou horas na Renner.
Mas uma coisa que eu sempre lembro quando penso em War era do “terremoto”. Sabe quando nada dá certo, os dados não ajudam e você está quase perdendo, com meia dúzia de exércitos, sem direito a pegar pelo menos uns quatro na troca de cartas e aí você olha pro amigo, ele tem tipo duzentas bolinhas vermelhas espalhadas pelo mundo e, dois continentes dominados e tá prestes a bater o objetivo? O que te dá vontade de fazer? Sair correndo? Convencer toda a mesa a reiniciar o jogo? Fazer um despacho pra da próxima vez ter mais sorte? Ou simplesmente sacudir o mapa com tudo em cima e deixar todo mundo com raiva?
Era o que o povo fazia. Terremoto. Ia peça pra tudo quanto é lado e ninguém tinha mais saco pra nada. Daí olhavamos pro relógio, víamos que já era quase dez da noite e que a aula já tinha acabado e nosso material estava lá, abandonado nas cadeiras. Quando íamos pra sala de aula.
Mãe, desculpa. Pai, eu me formei com CR bom. Graças ao War.
(postado originalmente em 06/07/2008)
sobre as coisas que ficam
Eu gosto de encontros por acaso.
Ontem, vindo da faculdade, sono, fome e uma leve irritação pós-aula, atravesso a rua e só escuto a voz dela, era a Fernanda, uma amiga dos tempos de escola.
Papo vai, papo vem, a gente relembra rapidamente dos recreios, das fofocas e desenterra alguns personagens daquela época tranquila e sem muitas preocupações. Quem não gosta de uma fofoquinha, mesmo que fora de hora?
E nesse meu reencontro com a Fernanda eu vejo o quão passionais nós duas éramos e, ainda somos. O tom de voz, o gesticular, a festa que a gente faz pra falar de algo. Fora o dramalhão amoroso, é sempre um capítulo de novela mexicana, com direito à trilha sonora de fossa “braba”. E o mais legal é que a gente ri de tudo, sempre riu.
A Fernanda faz parte de uma etapa da minha vida muito bacana. A gente treinava toda terça e quinta no time do colégio – vôlei – e toda segunda sentávamos juntas pra falar da nossa paixão em comum – o Vasco. Era sempre uma guerra com os meninos da sala, em sua maioria flamenguistas. Ainda bem que no terceiro ano (1999) o time começava a embalar rumo a uma fase lindíssima (essa fase eu VI, meu pai não precisou me contar re re re). Mas era também com os meninos que a gente batucava na mesa vários pagodes. Era Raça Negra, Só Pra Contrariar, Molejo… Vou te falar? Que coisa boa que eram aqueles dez minutinhos antes da professora chegar . Física eu não aprendi mas as letras dos pagodes, até hoje sei cantar tudinho!
E eu ainda ia encontrar a Fer fora do ambiente escolar. Foi graças a ela que eu tive a chance de trabalhar na American Airlines e conheci tanta gente bacana por lá, gente que me ajudou bastante até quando resolvi ir brincar de casinha nos Estados Unidos. E é aquele famoso clichê: certas pessoas podem sumir por algum tempo, mas quando aparecem é como se nunca tivessem sumido.
re-post: o(s) primeiro(s) porre(s)
Aos 11 anos de idade eu decidi fazer algo de útil pela vida. Além de parar de ouvir dance europeu, adquirindo gosto por novos estilos musicais, como ROCK, passei a ter aulas de vôlei. Era tanta dedicação… Mesmo com a carga horária normal da escola + curso de inglês, que sempre fez parte da minha vida desde os 7 anos, me dedicava aos treinos, todas as segundas e quartas.
Fiz progressos e aos 13 fiz parte da equipe de vôlei da escola. Era tão divertido! Conheci várias pessoas, lugares bizarros (alguém conhece Coelho Neto?) e toda aquela atmosfera de campeonatos me fazia querer ser cada vez melhor no esporte. Se não fosse uma coisa chamada timidez. Eu tinha vergonha de entrar em quadra. Sabe aquela coisa de amarelar? Eu ficava tão nervosa quando começava a jogar que errava tudo! E cada vez que meu treinador berrava pra eu me mexer, me jogar no chão e correr atrás da bola, piorava a coisa.
Enfim, numa dessas confraternizações do povo, rolou um churrasco. Eu tinha uns 15 anos e fui lá com a galera me divertir um pouco. Eu era tipo uma das mais novas, geral já enchia o caneco e eu toda lerda, coisa de menina novinha da minha época (falou a balzaca). Resolvi parecer adulta e fui acompanhando as pessoas na cerveja, uma, duas, três latinhas de Skol. Resultado: comecei a ficar meio tonta e quando me dei conta, justamente na hora que a gente levanta pra fazer um xixi básico, vi que estava meio mal, cambaleando. Parabéns, Raquel, você está bêbada.
Pior de tudo é que o churrasco tava rolando de tarde e eu teria que ir pra casa encontrar toda a minha família naquele estado. Não podia contar com ninguém a não ser comigo mesma. Dar um jeito de ir pra casa, fosse de ônibus, carro, jegue, o que fosse. Mas não, não rolou nada a não ser meia dúzia de bêbados que caminharíam na mesma direção da minha casa. Conclusão: tive que andar mais ou menos uma meia hora sentindo o corpo mole e a cabeça girando.
Pra completar o pesadelo, chego em casa e a única coisa que eu quero é dormir! Nisso vem meu pai, a versão humana do Dino da Silva Sauro, e me pergunta se estou passando bem, porque veja bem, eram mais ou menos 6 da tarde e eu vinha da rua, de um inocente churrasco e queria dormir. Eu meio que enrolo o velho e digo que estou cansada mas o Sr. Pablo saca na hora o que se passa e me acusa de estar em outra dimensão, causada pelo suco de cevada. Lembro que banquei a desentendida e simulei toda uma indignação, tamanha a afronta do meu pai em insinuar que não estava sóbria. Sabe como é, a melhor arma nesses momentos é bancar o ofendido. Enrolei ele, tomei um Sonrisal e acabei dormindo.
Desse dia em diante, jurei que nunca mais tomaria cerveja. Antartica estava banida da minha vida, cerveja desgraçada, me deixou com dor de cabeça pelo menos uns dois dias! Passei anos sem beber mais nada que não fosse refrigerante, suco ou água! Tornei-me uma exceção no grupinho da escola! Um exemplo de vida! Um alien entre os humanos!
Anos se passam e eu largo o vôlei. Porém, no vazio deixado pelo esporte, cria-se um monstro viciado em internet. Culpa da minha amiga Tatyana, que num desses encontros pra fazer trabalho em grupo (nunca sai nada, já viram?), me apresentou uma coisa chamada mIRC. Voltei pra casa querendo um computador COM mIRC. Meses depois, Sr. Dino nos presenteia com o dito cujo e mal sabia ele que alimentava a cobra que existe hoje (ainda lembro daquele barulho da linha telefônica conectando…). Virei nerd e conheci outros nerds, que me trouxeram de volta à vida etílica, vida esta que nunca mais me abandonou.
E foram tantos porres! O oficial, na famosa Praia da Bica, na Ilha do Governador. Sim, porque insulano de verdade já ficou bêbado lá. E pra você, que não sabe de que lugar estou falando, tentem imaginar uma ilha cercada de água podre por todos os lados. Praias impróprias para banho de mar MAS NÃO PARA SE EMBEBEDAR! Brasil é isso: beber na rua. E a gente bebia na praia. Da Bica.
Num desses ircontros da vida, fomos para o shopping e depois seguimos em carreata para o local. Por lá existe um restaurante muito conhecido da galera chamado Rei do Bacalhau, que anos mais tarde, leia-se recentemente, antes de eu decidir virar um eremita, era o meu local preferido, por conta da comida, da cerveja no balde e do futebol na televisão de plasma. Compramos no Rei umas garrafas de vinho, o conhecidíssimo Sabatini, que estava mais pra suco de uva com álcool do que vinho (chega a ser uma ofensa pra uva chamar o Sabatini de vinho). Copo vai, copo vem, os nerds começam a ficar chapados. Até a moradora de rua veio beber com a gente! No meio da madrugada, decidimos ir ANDANDO pras nossas casas e o que era pra ser uma caminhada entre amigos felizes parecia mais procissão do AA.
Nesse dia, quer dizer, nessa madrugada, meu irmão me deu banho e nem sei se meus pais ouviram alguma coisa. Eu provavelmente devia estar chorando ou vomitando, não sei. Só sei que o porre excluiu o vinho da minha lista de bebidas alcóolicas por anos. E logo depois o whisky foi excluído também, bem como a cachaça. Até hoje não tomo nenhum dos dois.
E ae eu te pergunto: tem futuro?
Hoje estou comportada graças à coleira. Confesso que deslizei uma vez aqui em Vail e me rendi aos encantos de Stolichnaya. Mas foi coisa rápida e logo me recompus. Hoje sou uma nova mulher, temente a Deus e às consequências da entrega ao mundo material (e alcóolatra). Dessa água, não bebo mais (por enquanto).
PS: postado originalmente no falecido blog, em 29/05/08.
human nature
Mas é óbvio que eu ia escrever sobre ele.
Sem entrar no mérito do quão fantástico ele foi, enquanto artista. Porque ele foi o melhor em tantos quesitos: vestuário, clipes, coreografias, shows, hits. O melhor, simplesmente.
Mas por que isso não fez do Michael Jackson, pessoa, feliz? Bem, vamos lá.
Ler esse texto da Lisa Marie Presley me deu toda a certeza de que MJ era uma pessoa extremamente infeliz. A história dele todo mundo sabe: o garotinho prodígio que, junto com os irmãos, transformou a música nos anos 70 fazendo dancinhas e cantando musiquinhas alegres e bonitas. Por trás disso tudo, um pai filho da puta sugando todo o talento dos filhotes. Como a gente tanto vê por aí. Pois bem, a criança cresce e se torna uma pessoa saudável, curtindo a idade e a (pouca) responsabilidade que lhe cabe, né? Não.
Eu tento imaginar a cabeça de um ser humano que passa por esse tipo de transformação tão radical. Quanta gente não quer ser famosa, não é? Big Brother tá aí pra comprovar o fato. Mas e quando a fama consome a pessoa, a natureza do indivíduo? E quando você deixa de ser você pra ser um fantasma, que circula nos melhores lugares, leva ao delírio milhões de pessoas?
Chegar em casa do trabalho e acompanhar toda a especulação se Michael Jackson tinha morrido. A primeira “grande morte” que o mundo acompanhou pelo Twitter. Uma morte que não mudou nada nas nossas vidas. Meu emprego continua o mesmo, minha casa também. Mas é um sentimento estranho saber que ele morreu. Talvez pelo que significou para a música de um modo geral. Ou por sabermos que nunca teremos a oportunidade de ir a um show seu. Quem foi, foi, quem não foi, perdeu (é algo que sinto em relação aos Mamonas Assassinas também, enfim). Mas uma coisa mexeu comigo, que é olhar pras fotos desse homem e ver que Michael já não existia naquele corpo há muito tempo. Não somente pelas inúmeras intervenções cirúrgicas e pela bizarra mudança de cor de pele mas pela perda do brilho no olhar, na felicidade ao cantar, ao subir no palco e fazer o nosso queixo cair com os movimentos incríveis de um corpo magro, esguio, sapatos que deslizavam no palco com uma facilidade que ninguém vai conseguir substituir. Ninguém.
Ah, outra coisa: quando eu penso em Michael Jackson, sempre lembro disso aqui:
Quem mais no mundo poderia ter um jogo de videogame onde, pra matar os inimigos, ele os convidava pra dançar? Nem o Mickey…













