Eu sempre acho difícil falar de pai e mãe.
Como resumir em palavras o sentimento que temos pelas primeiras pessoas que cuidam da gente? São eles que te pegam no colo pela primeira vez e juram amor eterno, até você chegar bêbado em casa ou tirar uma nota abaixo de 6 na escola, claro. Você, um bebê indefeso, um ser humano que ainda não fala, não anda, não consegue expressar nada além de fome e dor de barriga? Ah, os pais… deve ser uma coisa legal ser pai/mãe.
Mas vamos lá falar do meu pai.
O Sr. Arellano sempre foi uma pessoa curiosa em meio a tanta gente normal. Enquanto todo mundo tinha um pai brasileiro, eu tinha um pai peruano, que misturava as palavras e falava coisas sem sentido. O “bigodón” e as músicas com flautinha (hoje tão banalizadas por “músicos” nas praças das grandes cidades), as llamas e todo pedacinho de cultura ameríndia que ele inseriu na nossa criação. Eu e meu irmão crescemos sabendo quem foram os incas e quem eram os nossos parentes do outro país. E crescemos com um pai que dava bronca só com o olhar e que botava a gente na linha com um jeito durão, sempre amansado pela minha mãe, que é uma coisa linda e doce.
Meu pai é uma grande referência pra mim, em todos os sentidos. Foi dele a minha primeira camisa do Vasco e até hoje, TODOS OS ANOS, eu ganho uma camisa nova (façam as contas de quantas camisas eu tenho, desde os 9 anos – tô com 29). É nele que eu me inspiro pra vencer a preguiça e correr um pouquinho (o velho corre 10k, com 63 anos) e veio dessa parte da genética o meu gosto por pimentas e cerveja (porque minha mãe não bebe uma gota de álcool). Foi ele que me deu meu primeiro videogame, minha primeira “fita” de Mortal Kombat e me ensinou a andar de bicicleta.
Levou muito tempo pra que a gente aprendesse a lidar um com o outro, afinal é sempre difícil conviver com alguém tão parecido com você. Mas acho que a gente tá se acertando com o tempo e as coisas tem sido cada vez melhores. Quem diria que eu passaria um sábado bebendo cerveja com meu velho, né?

Feliz dia dos pais!