sem cebola, sem pickles.
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sobre os que se foram
Aug 30th
Hoje seria aniversário do meu avô, se ele estivesse vivo.
Aliás, é o primeiro aniversário dele SEM ele. Fora o aperto no coração, culpa da saudade que a gente sente do que foi bom, cai a ficha da única certeza que temos na vida: que um dia vamos todos deixar de existir.
É o relógio da vida fazendo “tic-tac”, obrigando a gente a se acostumar com o fato de que daqui pra frente é tudo uma grande contagem regressiva.
Quantos ainda veremos partir? Quanto ainda vamos chorar?
Onde quer que ele esteja, espero que esteja em paz.
it’s time to take some risks…
Apr 28th
E sempre chega o momento em que precisamos desatar as amarras que nos prendem ao passado e simplesmente seguir em frente. Podemos nos contentar com o presente, mesmo que não seja como planejamos, nos resignando ao conformismo, à aparente calmaria, à mesmice, ao que se mostra ideal, ou simplesmente chutar tudo em busca do que pode nos fazer feliz, plenos.
Desato nós que me conectavam aos projetos por mim idealizados. Ao meu ver, os mais bem elaborados, perfeitos pra alguém como eu, que vivia fugindo, procurando explicações pro que eu não podia responder. É difícil admitir que todo esforço, em alguns momentos, não compensa, restando apenas tirar o time de campo e caminhar pro vestiário.
Quantas coisas deixamos de fazer por medo de nos machucar? Quantos beijos não demos, abraços ficaram esquecidos e palavras não foram ditas? Quantas amizades perdidas, laços desfeitos e momentos esquecidos num tempo que não volta mais? Não volta.
Cada vez mais traumatizado, o ser humano se fecha em um campo de força, permanecendo ali até que se sinta suficientemente seguro para aproveitar a vida de novo. De vez em quando até coloca o pezinho pra fora mas, em um ato desesperado de defesa, retorna e está criado o efeito dominó (eu tenho medo, te ferro, você passa a ter medo e ferra um terceiro, que ferra um quarto e por aí vai). E assim caminha a humanidade, enterrando o que de melhor podemos oferecer por medo de viver.
(publicado originalmente em 10 de outubro de 2008)
sobre o tempo (e a falta dele)
Apr 20th
No último sábado levei meu pai para correr na Barra da Tijuca pelo circuito Fila Night Run.
Achei muito divertido ver tanta gente que dispensou algumas horas de um sábado para calçar runners, vestir camiseta, short e correr de 5 a 10km pela areia e no asfalto. Era um mar de gente e tinha torcida em peso. Meu pai estava muito feliz e mesmo correndo sozinho dava pra ver o quanto o velho se realizou naqueles 44 minutinhos fazendo esforço pra completar a prova. Segundo ele, correr na areia não foi mole não.
Me bateu uma pontinha de inveja daquelas pessoas. Eu queria ter mais vontade de me dedicar a um esporte qualquer, como me dediquei por tantos anos nos tempos de colégio. Já comentei aqui que joguei vôlei e era super disciplinada: toda terça e quinta tinha treino e eu ia linda e ruiva correr pelo menos 30 minutos em volta da quadra antes das cortadas e saques começarem. Daí que isso tem muito tempo e hoje sinto falta de uma prática esportiva, de mexer o corpo sem ser na noitada com um copo de vodka + redbull em mãos. Sinto falta de uma vida sadia, do suor do esforço, de uma vida menos corrida.
Confesso que o sábado passado me deixou em crise com minha consciência. Não sou a louca da balança, aliás eu não banco a desesperada que toma uma porrada de remédio pra emagrecer mas continua comendo Mc Donald’s (enganação, pra que?) mas quero arrumar um tempo nessa “falta de tempo” pra correr. Será que consigo? Se eu contasse metade dos dilemas…
E vocês, o que andam fazendo pelo corpo e pela mente?
quando a distância não faz diferença
Nov 4th
Todo mundo passa por isso… Ter amigos, namorado, família que mora longe, aquela distância chata, insistente, mas que pode ser vencida. Tem gente que surge já distante, e contamos com uma sobra de tempo pra que a distância seja ultrapassada, e que o virtual se torne, por fim, real.
Esse final de semana aconteceu tudo isso. As coisas que eram sensacionais pelo virtual se mostraram ainda melhores no real. Aquele “lance de cuca” se mostrou fato e mesmo a distância e a diferença entre Rs e Ss, o conceito de boteco e o que é calor ou não exista, amizade surge, cresce e continua.
(daqui)
Quando você vier aqui, dona Fernanda, eu te mostro o que é boteco (de verdade). E também te levo pra tomar cerveja, não dessas chiques que vocês tomam por aí, mas umas mais baratinhas, que casam perfeitamente com o nosso clima (se bem que nesse fim de semana estava mais pra Rio do que pra Curitiba). A gente faz um passeio turistão, sem jardineira, com engarrafamento e “emoção”! Vai ser divertido, anyways!
Obrigada pela hospitalidade, pelo carinho e pela cama fofinha e confortável! E por nos buscar/levar no aeroporto, que era tão “longe” da sua casa (não viu nada, AINDA). E obrigada por ser uma das pessoas mais queridas que eu já conheci nesses meus 27 anos. Eu e Pedro te agradecemos do fundo do coração!
re-post: coisas que irritam
Aug 27th
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- Pessoas no Nextel – já repararam como algumas pessoas se sentem as_executivas_da_Petrobras com essa merda? O que é tããão importante assim que não possa ser dito em outro momento que não seja a hora da manicure ou da feira no mercado? E PIOR… no alto-falante! Você tá ali do lado, obrigado a ouvir toda aquela baboseira, entre um pipi e outro! Bip maldito! Aparelho do inferno! Aprendam a falar no fone normal! Que praga!
- Músicas de supermercado – é sempre alguma coisa brega da moda. Uma Ivete Sangalo, um Jota Quest… Isso quando eles não colocam pra tocar versões remix… Nessas horas eu levo meu mp3 player e abstraio até a minha mãe me pedindo opinião sobre o chuchu ou sobre a peça de filé mignon.
- Abeiros – organiza-se uma discreta reuniãozinha etílica. Um leva uma garrafa de Jose Cuervo, o outro um pack de cerveja (de preferência, de boa qualidade), um Martini e por ae vai. Nisso, vem SEMPRE aquele que nunca leva nada e ainda mama tudo. Isso me irrita. E não é nem caso da pessoa estar sem grana e dar aquela chorada, o que a gente até aceita e releva, visto que pessoa alguma está livre de ficar quebrada de grana. Mas quando é com certa freqüência, eu já começo a desconfiar das intenções do dito-cujo.
- Ser acordada – acho que essa é uma das coisas que mais me irritam. Quer conversar sobre a missa no domingo? Sobre as frutas que estão belíssimas na feira? Sobre a pole position da F1? CONVERSA BAIXO PORQUE EU TÔ DORMINDO, CACETE! Aqui em casa acontece demaaaaaaaaaaais isso! Tô lá toda encolhidinha, no meu canto, sem fazer mal algum pra ninguém, vem a torcida do flamengo discutir aos berros na cozinha, atrapalhando meu momento mágico de paz com o mundo!
- Flamenguistas - já que toquei no nome do demo, vou falar sobre. Como boa vascaína que sou, ter repulsa deste segmento da sociedade é normal. Porque discutir com flamenguista é pior do que discutir sobre o Lula com simpatizantes do FHC. Os argumentos são sempre os mesmos: o pentacampeonato, o mundial de 81, serem a maior torcida (des)organizada do país e por ae vai. Não dá. Sofro com este mal desde os tempos da escola, hoje simplesmente peço pra cagar e saio.
- Não-Fumantes - a maioria vem com um papinho meia-boca anti-tabagista. Todo mundo sabe que o cigarro faz mal, que diminui a percepção de cheiro e sabor, que deixa com bafão, mesmo que você masque um Trident ou um Clorets da vida e bla bla bla. Então, pra que encher mais o saco? Eu não encho o saco de ninguém! Tô ali no meu canto, fumando o meu Marlboro Lights (por sinal não estou mais fumando) e vem aquela mala tentar me catequizar com algo que eu já sei. Me deixa, encosto!
- Telemarketing - atendo o telefone crente que é uma proposta de emprego. Daí vem aquela voz com sotaque cearense dizer que eu tenho direito a mais um cartão de crédito de uma bandeira desconhecida mas em expansão no país. Com anuidade custo zero no primeiro ano, limite “x” e o cacete elevado à quatro. Você tenta ser educado mas a pessoa começa a te pressionar, não te deixa desligar o telefone e isso é altamente irritante. Eu sei que as pessoas estão ali trabalhando, querendo bater metas pra pagar a Via Show no final de semana. Na boa, que merda de emprego! Conheço gente que já trabalhou com isso e acabou saindo por se sentir mal com a função! E eu entendo totalmente!
- Caixas da C&A - te chamam de “ném”, batem papo sobre o namorado pilantra que comeu a vizinha na sua frente e geralmente te atendem mal, como se você estivesse fazendo favor em comprar ali. Realmente, é um favor que faço só em entrar na C&A, que caiu de nível 200%. Não é somente pelas roupas, que estão de muito mal gosto mas pelo péssimo atendimento. Isso que dá querer pagar pouco… Meu primeiro emprego foi na C&A, fiquei duas semanas justamente porque não agüentei dividir meu espaço intelectual com semi-analfabetos baixo nível. Que fique claro: eu não tenho NADA contra semi-analfabetos mas não dá pra perguntar uma coisa pra alguém que responde “a gente temos”. Sem mais.
- Transporte alternativo, vulgo Kombi – quem mora no Rio sabe do que eu tô falando… Mas quem mora na Ilha do Governador entende e compartilha da mesma opinião. Kombi é o inferno na Terra. Em todos os aspectos! Te fecham no trânsito, entulham a Kombi com trezentas pessoas acima da capacidade de transporte, te enchem a paciência perguntando se você vai pro Cacuia quando você está somente atravessando a rua… Dai-me paciência, senhor Jesus!
- Casais apaixonados no ônibus – um saco. Andar de ônibus no Rio já não é uma coisa muito legal, visto que só Deus sabe quem entra nele, o que pode atingí-lo e nisso a gente vai sobrevivendo. Ainda me vêm esses casaizinhos que ficam de grude-grude, lambe-lambe bem na sua frente. Aprendam a se comportar! Vai namorar na praça, dividindo a pipoca doce, o milho-verde, o ovomaltine do Bob’s! Mas não num banco duro, que saculeja, entre um ponto e outro, cruzando a Linha Vermelha!






