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e se

E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubu cocorocar
E se o Botafogo for campeão (da série B – kas kas kas não resisti)
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
E se o pantanal virar pirão
E se o Pão-de-Açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se à meia-noite o sol raiar
E se o meu país for um jardim
E se eu convidá-la para dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então

De mim

.Chico Buarque, E Se.

Escolhas. A vida é cheia delas. É feita de. Momentos em que o medo e a insegurança são inevitáveis pois o desconhecido amedronta mesmo. Pode ser que o barco vire, também pode ser que não, já dizia Lulu Santos. Seria tão mais fácil se a vida tivesse aquela opção HINT do jogos de computador. Mas seria essa a melhor opção?

Sem saber algumas vezes fazemos escolhas decisivas. Toma-se o caminho sem volta e o jeito é se adaptar ao novo, seja ele bom ou ruim. Tudo depende do seu momento. O que pode ser primordial e relevante hoje, daqui a dois anos, não é.

caco

Crescer é isso: se arriscar, colocar a cara à tapa e correr atrás da felicidade.

(originalmente postado em 27 de setembro de 2006)

sobre as coisas que ficam

Eu gosto de encontros por acaso.

Ontem, vindo da faculdade, sono, fome e uma leve irritação pós-aula, atravesso a rua e só escuto a voz dela, era a Fernanda, uma amiga dos tempos de escola.

Papo vai, papo vem, a gente relembra rapidamente dos recreios, das fofocas e desenterra alguns personagens daquela época tranquila e sem muitas preocupações. Quem não gosta de uma fofoquinha, mesmo que fora de hora?

E nesse meu reencontro com a Fernanda eu vejo o quão passionais nós duas éramos e, ainda somos. O tom de voz, o gesticular, a festa que a gente faz pra falar de algo. Fora o dramalhão amoroso, é sempre um capítulo de novela mexicana, com direito à trilha sonora de fossa “braba”. E o mais legal é que a gente ri de tudo, sempre riu.

A Fernanda faz parte de uma etapa da minha vida muito bacana. A gente treinava toda terça e quinta no time do colégio – vôlei – e toda segunda sentávamos juntas pra falar da nossa paixão em comum – o Vasco. Era sempre uma guerra com os meninos da sala, em sua maioria flamenguistas. Ainda bem que no terceiro ano (1999) o time começava a embalar rumo a uma fase lindíssima (essa fase eu VI, meu pai não precisou me contar re re re). Mas era também com os meninos que a gente batucava na mesa vários pagodes. Era Raça Negra, Só Pra Contrariar, Molejo… Vou te falar? Que coisa boa que eram aqueles dez minutinhos antes da professora chegar . Física eu não aprendi mas as letras dos pagodes, até hoje sei cantar tudinho!

E eu ainda ia encontrar a Fer fora do ambiente escolar. Foi graças a ela que eu tive a chance de trabalhar na American Airlines e conheci tanta gente bacana por lá, gente que me ajudou bastante até quando resolvi ir brincar de casinha nos Estados Unidos. E é aquele famoso clichê: certas pessoas podem sumir por algum tempo, mas quando aparecem é como se nunca tivessem sumido.

pugg

eu e você, você e eu…

Um ano desde que o vôo AA 951 decolou de Miami (com atraso) com destino ao Rio de Janeiro. O clima era o mesmo de hoje: céu a zul celeste, nenhuma nuvem no céu, ventinho bacana, roupas de verão. Foi de quinta pra sexta. Sexta-feira sempre foi meu d ia preferido da semana, não somente porque é sexta-feeeeeeeeira – dia de cerveja depois do trabalho, de sair com os amigos ou dormir sem culpa de ir trabalhar no dia seguinte – mas simplesmente porque a sexta, até então, era o dia da feirinha da Colina, dia do step + body pump e dia de Arco do Teles depois do estágio.

Cheguei numa sexta-feira, como já disse, com atraso. Família esperando no aeroporto, amigos. De noite, festa, com muita cerveja, bebidinhas do demo e abraços saudosos.

Eu nunca vou esquecer aquele 15 de agosto de 2008 porque foi, sem dúvida, um dos dias mais felizes da minha vida.

Eu vivi todas as melhores sensações do mundo naquela sexta. O “matar a saudade”, o reencontro, o porre, a alegria. Eram tantos sorrisos, euforia, não cabia em mim cada “mostrar de dentes”. Eu queria que todo mundo soubesse o que eu senti. Só mesmo quando a gente não tem pra dar valor pro que tá sempre ali do lado, não tem jeito!

Mas falar desse último ano é falar do meu primeiro ano ao lado do Pedro. O Pedro não é só o meu namorado. Ele é o amiguinho nerd que conheci há alguns anos atrás no IRC. (alô, pseudo-analistas de mídias sociais? cês sabem o que foi o mirc? não, né…) . O bonitinho que bateu papo comigo e que (diz ele) foi ignorado na porta da Bunker, o inferninho underground frequentado pela juventude alternativa e roqueira do Rio de Janeiro há um tempo atrás. Engraçado que a gente tinha vários amigos em comum, esteve presente em tantos lugares ao mesmo tempo e nunca, nunca aconteceu nada. Precisou um blog sobre banheiros promover o reencontro.

E ainda dizem que a internet é perda de tempo. Me rendeu um emprego, amigos e um namorado!

Fica aqui uma dica: pessoas, não precisa ir tão longe pra se encontrar, sabe? Aquele clichê que diz que tá tudo pertinho, a gente que não repara, é verdade. Tão perto, tão simples, tão bonito.

eu te amo

olhando para dentro

Uma da manhã. Devia estar no décimo terceiro sono, prometo todos os dias ir pra cama mais cedo, promessa que nunca cumpro. Dessa vez, tarefas agendadas que foram esquecidas no bloco de papel com capa dourada, aquele mesmo que ganhei de lembrancinha no último Natal.

Que gostoso é riscar algo da lista de afazeres! Sensação de ir pra cama com menos uma preocupação, por mais que outras dez assumam o lugar do risco na folha com pelo menos dez tópicos, todos pra ontem.

O braço fraqueja, a vista arde, definitivamente o dia devia ter umas horas a mais, pra dar conta de tanta vida! A mesa, que um dia era vazia e tinha um arranjo de flores no centro (desses que toda mãe tem), hoje abriga um fichário cor de rosa e muitos cadernos, provas, revistas e uma calculadora baratinha, coisa de quem saiu da semana de provas e ainda não “teve tempo” pra organizar pendências.

E nessa correria toda, será que dá tempo de respirar? De olhar ao redor? Outro dia, ao voltar pra casa, caminhando a passos apressados, acompanhei um senhor e seu cachorro, que se dirigiam para debaixo de uma marquise. Aquele senhor dorme ali todos os dias. Sabe Deus onde passa os dias, onde toma banho, se come, se tem uma família. Ter caminhado, mesmo que por uma curta distância de alguns metros, ao lado daquele homem me fez pensar em toda a minha vida, desde as primeiras recordações que tenho das coisas até os dias de hoje. Foram menos de cinco minutos. E, em menos de cinco minutos, passou um resumo de quase todas as grandes e pequenas coisas que eu já fiz.

Eu não consegui parar de pensar naquele senhor até agora. Tinha um olhar triste e se não fosse pelo cachorro me arriscaria a dizer que trata-se de um homem solitário, que se esconde por aí e que de noite tira um ronco em um canto qualquer. Mas a verdade é que desde que procurei entender o velho senhor, passei a querer entender a mim mesma.

tout doucement

shoe

foot

neck

As unhas por fazer, o cabelo de maluca, desarrumado, no aguardo de um novo corte ou algo que disfarce a franja que não é mais franja. Nota-se também o ganho de peso, talvez seja apenas a sua estrutura óssea, vão dizer os otimistas. Já os realistas de prontidão atribuirão, ao colo robusto, as idas semanais nos variados fast foods do centro da cidade.

Não importa: o reflexo no espelho retrata a quem nele se observa o resultado de uma vida corrida, sem muito tempo para cuidados tão básicos e elementares. A rotina casa-trabalho-faculdade-casa suga toda e qualquer energia extra e a pele, já perto dos trinta, dá sinais de cansaço e menos viço, o que, naturalmente, faz parte.

Já o sorriso certas vezes é tímido mas não menos sincero. O que vivo hoje é a felicidade, na sua manifestação mais plena. Felicidade real, de quem tem pouco dinheiro no bolso, alguns bons sonhos na cartola e motivações mil para enfrentar cada semana que se inicia.

smile

pra guardar na carteira

happiness

A gente esquece dessas coisas.

Aqui nesse site tem mais.

fazendo o bem

Ontem, na aula de Empreendedorismo, conheci o trabalho do Instituto Realice. Em uma entrevista, Alice Freitas, uma das fundadoras do projeto, fala sobre o sonho e todo o esforço pra colocá-lo em prática. Parcerias com organizações e instituições que pudessem financiar a expedição que a levaria, juntamente com Rachel Schettino, para 4 países escolhidos a dedo: Índia, Bangladesh, Vietnã e Tailândia.

A expedição tinha como missão conhecer projetos e ações sociais que derão/dão certo nestes países. Após quatro meses de reuniões e encontros, as duas moças retornaram ao Brasil e deram início ao Projeto Mãos Brasil, que visava trabalhar a geração de renda em comunidades populares do Rio de Janeiro, através da formação de grupos de produção em técnicas artesanais.

O que achei mais forte no depoimento de Alice foi quando ela disse que largou tudo para investir nessa expedição. Carreira, família, amigos, em troca de quatro meses sem muito conforto em países com tantas dificuldades, tudo em prol de uma grande realização pessoal.

Pegando um gancho nessa conversa toda, hoje em dia consigo entender muito essa mensagem. Mais do que o dinheiro que recebemos, é preciso que algo além do material nos faça sorrir. Claro que em alguns momentos da vida não dá pra largar tudo de mão pra investir nos sonhos. Há contas pra pagar, responsabilidades para cumprir… Mas, falo mais daquela coisinha que fica lá no fundo da nossa cabeça, que a gente sempre quis fazer mas desistiu por algum motivo.

Casos como o de Alice podem soar como maluquice pra maioria das pessoas. Como assim abandonar um emprego em multinacional, que paga bem, abrir mão de um futuro promissor e bem remunerado? Acho que quando os sonhos não cabem em nós, é assim mesmo!

Hoje me vejo exatamente assim. Em poucos anos, tantas mudanças pra uma só pessoa. Hoje, depois de tantas desistências, tantas cabeçadas e tentativas sem muito êxito (por n motivos), sinto as coisas tomarem forma, a forma que eu queria. Dá vontade de jogar tudo pro alto na primeira dificuldade? Dá sim e a gente joga. Levou tempo pra eu aprender a não desistir simplesmente e REPENSAR os planos. Não tá dando certo por esse caminho? Que tal seguir por aquele outro? E assim vai…

Hoje, dia 08/04, acordei com o nariz entupido e com muito sono. Chuvinha fina. Motivos suficientes pra ficar na cama, inventar uma doença e abstrair o trabalho, a aula na faculdade. Mas hoje é um daqueles dias que marcam a sua vida, é o dia em que você vai abandonar uma etapa para começar outra. E, o melhor, com o reconhecimento de que fez e deu o seu melhor. Tem sensação mais gostosa do que o agradecimento por você ser quem é de verdade?

excellent

Pra completar o meu “bom dia”, recebo das mãos da minha avó um pacote vindo do Paraná. Dentro dele, dois esmaltes e mais uns mimos para cuidar das unhas. Letícia, esse carinho não tem preço. Aliás, em mais de dez anos de internet, com tantas picuinhas, stresses, “admiradores” (até hoje, por sinal), eu fiz muitos AMIGOS, amigos reais, que me fazem um grande bem sem nem saber.

É isso então. Uma mensagem otimista para o dia 08/04, quem sabe hoje não é o dia que vai mudar a sua vida? Depende de você.