↓ Archives ↓

Posts Tagged → nostalgia

saudade com sabor de groselha.

Meu primeiro bolo de aniversário, aquele da Emília, tosquinho, de uma época em que pasta americana nem pensava em existir (transformando qualquer comidinha em uma obra de arte); o meu primeiro instrumento musical – uma cítara daquelas infantis; minhas primeiras bonecas… Tudo ganhava uma proporção que só ele sabia dar. As piadas racistas, os discursos políticos (que exaltavam o Brizola) e os comentários futebolísticos (que em nada influenciaram a minha escolha, pois se dependesse dele, eu seria tricolor). Meu avô chegava de supetão lá em casa, com a bolsa carteiro a tiracolo – mais tarde se tornou uma pochete, ambas de couro, e nos saudava sempre de maneira alegre, de modo que a gente só fosse entender tudo mais tarde. Ele chegava sempre com algum mimo, um presentinho, uma tranqueira que nos fazia feliz e nos fazia os mais importantes de todo mundo. Nos fazia especiais.

Os avós, quando não te criam sendo praticamente sua segunda mãe ou seu segundo pai, são os responsáveis pelas aventuras mais gostosas da infância. Filha de nutricionista, raras eram as vezes em que eu podia almoçar salgadinhos da lanchonete ou friturinhas engordativas. Ou comer balinhas, sorvete e tomar groselha. Mas quando ele nos buscava na escola era certo pararmos na Garota da Ilha pra levar um tanto de coxinhas e bolinhas de queijo.

Um belo dia a gente cresceu e coincidentemente parece que o avô cresceu também. O sorriso se tornou mais raro, as visitas também. Nesse momento, comecei a sentir saudades.

E é assim que a gente começa a entender os por quês da vida. Começa a entender os silêncios e partidas repentinas. Começa a assimilar que todo mundo tem defeitos, inclusive os seus ídolos e o meu avô era meu ídolo. Ele com aqueles olhos claros, cabelo devidamente penteado pra trás, engomado, seeeeeeempre contando suas histórias maravilhosas dos tempos da farda. Quantas vezes ouvi sobre a viagem ao Japão, que nos rendeu uma coleção horrorosa de louças?

Quando penso no meu avô, não consigo mais pensar nas coisas tristes mas somente naquele rosto enrugado e sério que se transformava quando a gente corria pra cumprimentá-lo. Também penso no apartamento que pra mim, pequenina, parecia um mundo sem fim, com tantos móveis e caixas pra apenas um morador. Lembro perfeitamente da sensação de se perder por aqueles metros quadrados; sonhava com o dia em que teria o meu apê e levaria toda a mobília de lá, afinal meu avô não se importaria. Eu penso nisso tudo quando escuto a palavra “avô”: bala Soft, Rockita, Avon, Skinny, massa de pastel, forma de bolo, Bahia, farinha com ovo mole, banana na comida, Rita, Cairu, Fortaleza.

O coração sempre perdoa, né?

top 5 “crushes da adolescência”

Listinhas top 5: tô sempre fazendo as minhas, mentalmente, pelo menos uma vez por dia, assim como acontece com o personagem Rob Gordon, em Alta Fidelidade. Claro que eu não levo isso tão à sério, geralmente pratico essa atividade nas voltas pra casa, quando pego ônibus cheio e todas as conversas ao meu redor giram em torno de novelas, BBB ou do ambiente de trabalho hostil em que as criaturas vivem.

(Já repararam que as pessoas falam absolutamente TUDO sobre o trabalho? Sobre os chefes malas, demissões, contratos importantes, clientes? Isso quando não falam no Nextel…)

Enfim, hoje eu resolvi expor uma dessas minhas listas aqui no blog. Como adoro falar de coisas da adolescência, hoje é dia de falar dos crushes, sim, aquelas paixonites platônicas que a gente desenvolvia por atores, cantores, modelos, jogadores de futebol, escritores, filósofos…

PS: “crush” vem de “crush on you”, que significa “ter uma quedinha por você”.

Top 5 Crushes da Adolescência

1 – Keith Flint, front man do Prodigy

Eu gostava tanto de Prodigy que aquela imagem, pra época, bizarra, me atraia. Eu não queria saber de homem bonitão, eu queria saber do esquisito, tatuado, de cabelo pintado de verde, corte estilo Bozo. Keith Flint foi meu principal crush na vida, durando quase toda a adolescência.

Uma coisa que eu penso de vez em quando é como os pais veem os filhos depois que crescem. Imagina os pais do Keith ou de qualquer outra pessoa que pratica desapego com o próprio corpo e se transforma, alguns beirando o bizarro (língua de cobra, pele de gato etc)? Um belo dia o ser já foi fofinho, arrumadinho e inocente. Eu acho isso divertido, pode ser que aconteça comigo o dia que eu tiver meus filhos (deve ser o que a minha mãe pensa de mim, enfim).

oi?

2 – Morteen Harket, vocalista do A-Ha

Ele foi meu primeiro crush. Acho que eu nem era adolescente ainda, sei lá, devia ter uns 7, 8 anos, quando apareceram uns discos do A-Ha lá em casa e eu passei a ouvir copiosamente Stay on these roads, hit mela cueca da banda. Eu não sabia o que era amor, eu não sentia a mínima atração pelos meninos melequentos da sala. Mas eu olhava pra capa do disco e suspirava pelo “da ponta direita”.

3 – Edward Norton

As meninas leitoras do blog com mais de 25 anos certamente lembram das edições especiais de Querida só com os homens mais gatos do momento. Enquanto vinham umas coisas cafonas tipo Leonardo di Caprio, Nico Puigg, Almir Satter (AHAHAHHAHA ele veio uma vez), eu até tecia um comentário ou outro positivo sobre Brad Pitt e algum outro macho. Mas era Edward Norton o preferido. Cheguei a suspirar um tico mais por Nicolas Cage e aquele narigão dele mas foi muito passageiro e não mereceu entrar nessa lista. Já o Ed (íntima… NOT) ganhou meu coração com A Outra História Americana e logo depois com Clube da Luta, um dos meus filmes preferidos nessa vida.

4 – Heath Leadger

Todo mundo amou, principalmente naquele filmes teen 10 coisas que eu odeio em você (famosa cena do campo, cantando, tão bonito…).

5 – Bruno Carvalho, ex-jogador do Vasco

Eu acho o_fim ter crush por jogador de futebol. Mas eu tive, lá pelos 13 anos. Meio que tenho vergonha de assumir isso publicamente mas como eu não devo nada pra ninguém, vai lá, filhão, assume o lugar que te pertence.

É isso, pipow. Essa lista poderia ser muito maior e já cogito um “parte II”, certeza que vou lembrar amanhã quando estiver no trabalho.

ê ê ê ê a magia chegou…

pac man candies

Esse programa Por Toda a Minha Vida mexeu com a maioria das pessoas da minha idade (e algumas mais jovens), porque, enquanto pros nossos pais o especial dos Beatles MEXE “lá no fundo do peito”, é um especial do Claudinho e Buchecha que nos traz as mais tenras recordações do passado. Ei, você, tá torcendo o bico? Não deveria. Não adianta, cara, BEATLES não é da sua época. Nem Jimi Hendrix. Apenas aceite os fatos, porque Claudinho e Buchecha é um fato na vida de alguém entre 20 e 30 anos.

O bacana é que passava um trechinho da música no programa e logo você se pega cantarolando todo o resto, batendo pezinho no chão e o escambáu…

Tua época foi a do pagode, a do New Kids on The Block, das Spice Girls, da Madonna piranha se esfregando na cruz com um negão, foi dançar tchurururu de Nauru, pochete, com a mão na frente da boca, imitando o Claudinho.

Semana que vem é o especial do Raul Seixas. Raul Seixas, o mais pedido nas rodinhas de violão chatas dos acampamentos, depois de Legião Urbana e seu Faroeste Caboclo (pior que eu gosto de Legião Urbana). Eu duvido que o programa da semana que vem tenha tantas pessoas assistindo como o de hoje – e comentando no Twitter, em tempo real, as usual.

E o que eu quero dizer com esse post? Que é bom reviver o passado, seja por alguns minutos em frente à televisão, seja desencalhando aquele videogame que em algum Natal do passado foi a maior alegria da sua vida. O Atari, o Master System, Odissey, Mega Drive, Nintendo, que seja. Desce a caixa de War e vamos jogar uma partidinha, sem terremoto e jogando os dados na tampa do jogo? Daí a gente faz aquele suco de caju, deixa na jarra e vai bebendo aos poucos. Nostalgia em vez de saudade: é coisa pra quem viveu a vida – de verdade.

quando a distância não faz diferença

Todo mundo passa por isso… Ter amigos, namorado, família que mora longe, aquela distância chata, insistente, mas que pode ser vencida. Tem gente que surge já distante, e contamos com uma sobra de tempo pra que a distância seja ultrapassada, e que o virtual se torne, por fim, real.

Esse final de semana aconteceu tudo isso. As coisas que eram sensacionais pelo virtual se mostraram ainda melhores no real. Aquele “lance de cuca” se mostrou fato e mesmo a distância e a diferença entre Rs e Ss, o conceito de boteco e o que é calor ou não exista, amizade surge, cresce e continua.

(daqui)

meninotas

Quando você vier aqui, dona Fernanda, eu te mostro o que é boteco (de verdade). E também te levo pra tomar cerveja, não dessas chiques que vocês tomam por aí, mas umas mais baratinhas, que casam perfeitamente com o nosso clima (se bem que nesse fim de semana estava mais pra Rio do que pra Curitiba). A gente faz um passeio turistão, sem jardineira, com engarrafamento e “emoção”! Vai ser divertido, anyways!

Obrigada pela hospitalidade, pelo carinho e pela cama fofinha e confortável! E por nos buscar/levar no aeroporto, que era tão “longe” da sua casa (não viu nada, AINDA). E obrigada por ser uma das pessoas mais queridas que eu já conheci nesses meus 27 anos. Eu e Pedro te agradecemos do fundo do coração!

sunset

eu e você, você e eu…

Um ano desde que o vôo AA 951 decolou de Miami (com atraso) com destino ao Rio de Janeiro. O clima era o mesmo de hoje: céu a zul celeste, nenhuma nuvem no céu, ventinho bacana, roupas de verão. Foi de quinta pra sexta. Sexta-feira sempre foi meu d ia preferido da semana, não somente porque é sexta-feeeeeeeeira – dia de cerveja depois do trabalho, de sair com os amigos ou dormir sem culpa de ir trabalhar no dia seguinte – mas simplesmente porque a sexta, até então, era o dia da feirinha da Colina, dia do step + body pump e dia de Arco do Teles depois do estágio.

Cheguei numa sexta-feira, como já disse, com atraso. Família esperando no aeroporto, amigos. De noite, festa, com muita cerveja, bebidinhas do demo e abraços saudosos.

Eu nunca vou esquecer aquele 15 de agosto de 2008 porque foi, sem dúvida, um dos dias mais felizes da minha vida.

Eu vivi todas as melhores sensações do mundo naquela sexta. O “matar a saudade”, o reencontro, o porre, a alegria. Eram tantos sorrisos, euforia, não cabia em mim cada “mostrar de dentes”. Eu queria que todo mundo soubesse o que eu senti. Só mesmo quando a gente não tem pra dar valor pro que tá sempre ali do lado, não tem jeito!

Mas falar desse último ano é falar do meu primeiro ano ao lado do Pedro. O Pedro não é só o meu namorado. Ele é o amiguinho nerd que conheci há alguns anos atrás no IRC. (alô, pseudo-analistas de mídias sociais? cês sabem o que foi o mirc? não, né…) . O bonitinho que bateu papo comigo e que (diz ele) foi ignorado na porta da Bunker, o inferninho underground frequentado pela juventude alternativa e roqueira do Rio de Janeiro há um tempo atrás. Engraçado que a gente tinha vários amigos em comum, esteve presente em tantos lugares ao mesmo tempo e nunca, nunca aconteceu nada. Precisou um blog sobre banheiros promover o reencontro.

E ainda dizem que a internet é perda de tempo. Me rendeu um emprego, amigos e um namorado!

Fica aqui uma dica: pessoas, não precisa ir tão longe pra se encontrar, sabe? Aquele clichê que diz que tá tudo pertinho, a gente que não repara, é verdade. Tão perto, tão simples, tão bonito.

eu te amo

bunker e eu

Inspirada pelo post da Luma, resolvi falar de música. Mas em vez de dizer como a música transformou minha vida, marcando momentos fundamentais, fazendo chorar, sorrir, servindo de cantada, motivo pra puxar assunto (e bla bla bla), vou falar de um LUGAR que fez parte do passado de muita gente no Rio de Janeiro: a Bunker 94.

Inaugurada em 1998, ficava em Copacabana, na Raul Pompéia, ao lado do boteco Bem Estar, parada OBRIGATÓRIA dos frequentadores da casa. Era “de lei” tomar algumas garrafas de cerveja ou algum outro drink matador. Cachaça, Fogo Paulista, Menta. O resultado durante a noite nunca era muito decente. Alguns game overs, vexames, normal. Depois do aquecimento, era hora de entrar.

Fila pra pegar desconto, as 50 primeiras mocréias não pagavam. Era chegar da faculdade, tomar um banho rápido e fazer a conexão Centro-Copa pra garantir logo vaga na fila. Sempre dava briga. Mas entre mortos e feridos, o que importava era entrar pra curtir música e fumaça de cigarro. Acho que esse era o maior defeito da Bunker: o sistema de ventilação da casa não funcionava. Você, além de fazer sauna, saía de lá defumado. Um terror.

Pois bem, há alguns anos atrás a Bunker fechou e passou a ser uma espécie de festa intinerante. A verdade é que  aquele quadrado exótico deixou saudades. Muitos gritinhos “uhul” ao tocar a_música, pegação, dancinhas, encontros. A Bunker, além de boate, era ponto de encontro dos nerds do IRC. Lá conheci alguns amigos de blog dos primórdios. Lá conheci o namorado (<3). Lá eu dancei muitas quartas e sextas e é por esse motivo que escrevo sobre a Bunker. Bunker pra mim é nostalgia, é música na sua melhor manifestação: alegria.

Segue então um top 5 “músicas que não podiam deixar de tocar na Bunker”. Fé em Deus, DJ!

5 – Love Spit Love; How Soon is Now

4 – Gargabe; Cherry Lips

3 – Placebo; The Bitter End

2 – Depeche Mode; Enjoy the Silence

1 – Hole; Violet

Emocionei, viu?