Eu devia mudar o nome desse blog de “Rabugices” pra “Andando de busão”, de tanta estória que eu tenho pra contar.
E pensar que andar de ônibus era uma das minhas atividades preferidas. Acompanhada do meu cd player (hoje em dia iPod), eu costumava aproveitar bem as idas à faculdade ou ao trabalho antigamente. Hoje em dia, não mais.
Vai ver tô saturando porque pego ônibus justo nos horários de pico, quando toda a POVA do Rio de Janeiro tá indo/saindo pro/do trabalho. Pior que você tenta fugir pra metrô e é ainda pior. Van, além de não aceitar vale-transporte, é mais caro e sempre tá lotada, apesar do preço.
Enfim… voltemos ao estresse nosso de cada dia.
Não bastasse o funk alto no celular do tiozinho, a sujeira, os estudantes que não tiram as mochilas das costas, temos que conviver com passageiros espaçosos. Não me refiro às pessoas mais gordinhas não. Eu falo daquele camarada que esquece o limite entre o bom senso e a falta de educação, a linha imaginária que a mãe ensina pro filhote ao se sentar no sofá da casa do amiguinho, sabe? Aquela divisória que faz com que o seu braço não encoste no da pessoa do lado. Ou a sua perna. Ou que faça a criatura, que pagou a mesma passagem que você, andar todo encolhido na janela do ônibus. Ou com as pernas pra fora, no corredor.
Não tem coisa que me irrita mais do que isso.
Outro dia, jurei pra mim que não ia me encolher. Não adiantou. Resisti bravamente ao braço cabeludo de um senhor roçando no meu, coisa mais nojenta ever. Pensei “ele vai se mancar e chegar pra lá, não vai invadir meu espaço, vai se limitar ao assento dele e olhe lá”. Ledo engano. A coisa me incomodou tanto que quando vi, tinha os braços encostados no vidro da janela, feito lagartixa encolhida no canto da parede.
“Mas Raquel, os homens são mais espaçosos por natureza, afinal eles possuem algo que nós mulheres não possuímos entre as pernas…”
E DAÍ?
Precisa ocupar um assento e meio? Então pague uma passagem e meia.
Pior que na van é a mesma desgraça. Acho que só vou ter paz quando tiver meu carro. Ou não.